Copa do Mundo foi gol contra nos resultados, para empresas da B3
Para as empresas da B3 , a Copa do Mundo deixou um gosto mais amargo do que a pior campanha da seleção brasileira em 36 anos dentro dos gramados. Fora do campo, um grupo majoritário de companhias classificou a competição como um evento negativo para vendas, fluxo de lojas e o resultado no segundo trimestre.
No Brasil, dia de jogo do mundial é sagrado - por mais desacreditada que a seleção esteja. Funcionários saem mais cedo, parte do comércio fecha e a que fica aberta vê o movimento despencar. Como se não bastasse, há ainda o interesse pela competição para além da camisa verde e amarela - vide aquele bolão 'da firma' - nesta edição prolongada do mundial. A distração se somou ao momento adverso da economia, em que inflação , juros e endividamento já pesam sobre o consumo.
Por tudo isso, a Copa se expressa nos balanços da Bolsa local como em poucos países do mundo. No segundo trimestre, ao menos 15 companhias da B3 mencionaram o mundial como uma influência para os resultados no período, 10 delas com um viés negativo nos números, com destaque para as varejistas de moda. Na ponta oposta, quatro empresas sentiram benefícios: Ambev , Magalu , SBF, dona da Centauro , e Alpargatas , dona da Havaianas.
Seria como dizer que, ao longo da competição, os brasileiros beberam mais cervejas, compraram aparelhos de TV para assistir aos jogos, camisas de times e sandálias, mas foram menos a shoppings, adiaram compras de novos "looks" e até diminuíram o ritmo na academia.
"Realmente nunca tinha visto um comportamento deste tipo", afirmou Paulo Correa, presidente da C&A , ao detalhar os números do segundo trimestre e citar que o crescimento do grupo teria sido maior sem os efeitos da Copa. A receita avançou 1,2%, para R$ 2 bilhões. Segundo ele, que está há seis Copas na C&A, a redução no movimento das lojas não ficou restrita aos dias de jogos do Brasil, como em edições anteriores.
O mesmo fenômeno foi observado na Renner e na Riachuelo . A estimativa é de que a Copa do Mundo tenha retirado entre 3 e 4 pontos porcentuais do desempenho de ambas no trimestre. "Historicamente, acontecia muito concentrado nos dias de jogos do Brasil", disse Fabio Faccio , presidente da Renner.
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