Anistia 79: O emocionante depoimento sobre a morte de Bacuri
A ditadura militar que infelicitou o Brasil (1964-1985) vive.
Vive no bolsonarismo.
Vive em Flávio Bolsonaro.
Vive nas memórias do atentado à bomba contra a sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, que completa 50 anos nesta quarta-feira, 19 — foi reivindicado por uma certa Aliança Anticomunista Brasileira (AAB).
O resgate da História faz parte de um acerto de contas que ainda não está completo.
A presidenta Dilma Rousseff foi derrubada, dentre outros motivos, por ter bancado a instalação da Comissão da Verdade.
Jair Bolsonaro tentou o golpe de 8 de janeiro de 2023 como representante dos porões da ditadura.
Em agosto estreou Honestino , um docudrama de Aurélio Michelis, estrelado por Bruno Gagliasso, que conta um pouco da vida do líder estudantil da Universidade de Brasília (UNB) que foi “desaparecido” pela ditadura.
Agora é a vez de Anistia 79 , um documentário centrado em um episódio específico: a Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil, que aconteceu em Roma.
A diretora Anita Leandro ( Retratos de Identificação ), professora de cinema da Universidade Federal do Rio de Janeiro, baseou-se em registro feito por Milton Lopes dos Santos e Vélcio Ribas: Sabendo desse evento ele [Milton] conseguiu uma pequena doação ali da Associação França-Brasil, que dava apoio aos exilados — porque os exilados não tinham dinheiro pra filmar — e ele alugou uma câmera, comprou a película, comprou as bobinas de som e foi pra Roma com o Vélcio e mais um amigo dele, um vizinho, um italiano, que aceitou o convite dele para ir até Roma filmar.
Reencontro No documentário, Anita promove o “reencontro” de 11 participantes do evento com as imagens da conferência.
Dentre os presentes, Diógenes Arruda, Apolonio de Carvalho e Gregório Bezerra — líderes históricos da esquerda brasileira.
A emoção está presente desde o início.
Anita resgata o depoimento dado por Denise Crispim sobre o assassinato de seu companheiro Eduardo Collen Leite, o Bacuri, ao Tribunal Russell — organizado inicialmente pelo filósofo britânico Bertrand Russell para julgar os crimes estadunidenses na guerra do Vietnã, mais adiante ele teve versões para avaliar os crimes cometidos pelas ditaduras da Argentina e do Brasil.
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