Asas da hipocrisia: jatinho de Vorcaro e dupla moral do bolsonarismo
Em 19 de janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou da Flórida para Brasília em um jatinho ligado a Daniel Vorcaro, acompanhado de sua família e do advogado Willer Tomaz.
Um dia após a viagem, estava previsto o primeiro repasse de US$ 2 milhões para o financiamento do filme Dark Horse , sobre Jair Bolsonaro.
Ao todo, Vorcaro teria destinado ao menos R$ 65 milhões ao projeto.
O acompanhante da viagem era o mesmo Willer Tomaz envolvido no escândalo do INSS e no caso da mansão do jogador Richarlison.
O episódio expõe flagrante contradição: o bolsonarismo apressou-se em criticar o desembarque de Alexandre de Moraes da mesma aeronave, mas tratou o uso do avião por Flávio Bolsonaro como uma simples “carona de amigo”.
Essa seletividade escancara uma postura conveniente, que aponta escândalos nos adversários enquanto ignora os aportes milionários e as conexões do próprio grupo.
É a velha hipocrisia em sua forma mais evidente.
Como no conto do rei nu, a situação fica indiscutível.
Impressiona como muitos aliados fingem que não existe uma relação entre Vorcaro e a família Bolsonaro muito mais próxima e frequente do que com qualquer opositor, inclusive o ministro Alexandre de Moraes.
A proximidade de Vorcaro com a família Bolsonaro é inegável.
Ele se consolidou como um dos principais financiadores desse grupo, atuando em campanhas eleitorais e no apoio logístico do cotidiano político, como na cessão de seu jatinho a Flávio.
“Estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, disse Flávio a Vorcaro.
Ao concentrar os ataques nas autoridades adversárias e alimentar um escândalo seletivo, o bolsonarismo expõe sua hipocrisia tática.
Essa dupla moral corrói o debate público e prejudica a boa política, pois substitui a coerência e a busca por transparência pela defesa cega de interesses de grupo e conveniências eleitorais. *Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.
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