Sem ajuste fiscal, juros podem disparar e Ibovespa cair para até 116 mil pontos; como proteger a carteira?
O Brasil não precisa chegar a uma crise de financiamento para o investidor começar a sentir no bolso os efeitos de uma piora fiscal.
É esse o alerta da Empiricus Research em relatório divulgado nesta quinta-feira (13).
Segundo a casa, a combinação de déficit primário, juros elevados e dívida crescente mantém um prêmio de risco relevante nos ativos brasileiros e, sem mudanças estruturais nas despesas obrigatórias, pode resultar em juros mais altos, real mais fraco, inflação e perda de valor dos ativos domésticos.
A fotografia atual ajuda a explicar a preocupação.
Nos 12 meses até junho, o setor público acumulou déficit primário de R$ 157,2 bilhões , equivalente a 1,19% do PIB.
Com os juros nominais de R$ 1,16 trilhão , o déficit nominal chegou a R$ 1,32 trilhão , ou 9,99% do PIB.
Enquanto isso, a dívida bruta alcançou R$ 10,8 trilhões , correspondente a 81,9% do PIB.
Para a Empiricus, o problema é que cumprir formalmente a meta fiscal não significa necessariamente colocar a dívida em trajetória sustentável.
A casa destaca que o governo pode apresentar um resultado positivo para fins de cumprimento da regra enquanto mantém um déficit efetivo, já que determinadas despesas são excluídas da apuração da meta.
No primeiro semestre, por exemplo, a receita líquida do Governo Central avançou 5,6% acima da inflação , mas a despesa cresceu 12,3%, pressionada principalmente por gastos obrigatórios.
Quanto seria necessário para estabilizar a dívida? A distância entre o resultado atual e o necessário para interromper a alta da dívida é um dos principais pontos levantados pela casa.
Segundo estimativa da Instituição Fiscal Independente ( IFI ) citada no relatório, considerando crescimento real de 2,3% e juro real implícito de 5%, o Brasil precisaria gerar um superávit primário recorrente de aproximadamente 2,1% do PIB para estabilizar a dívida.
Hoje, o resultado acumulado em 12 meses é um déficit de 1,19% do PIB.
Isso significa uma diferença superior a 3 pontos percentuais do PIB, um esforço que, na avaliação da Empiricus, dificilmente seria obtido apenas com contingenciamentos pontuais ou receitas extraordinárias.
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