'Rei Bibi' Netanyahu resiste no perde-ganha eleitoral em Israel
A contagem dos votos em Israel está chegando ao fim, mas o resultado já é conhecido: não vai sair dali o primeiro-ministro.
Faltam contar os votos dos militares e dos diplomatas, que são os únicos autorizados a votar fora de Israel. A comissão eleitoral (o país não tem Justiça Eleitoral) estima concluir hoje a contagem de todas as cédulas.
Para os partidários da política belicista e grileira de Benjamim Netanyahu, ele ganhou a eleição. Seu partido, o Likud, de direita, ficará com 53 das 120 cadeiras do Knesset, o parlamento do país.
Atenção. Israel não tem Constituição, funciona em sistema monocameral, e o Knesset cuida das chamadas Leis Fundamentais (Hukot Has Yessod, em hebraico) desde 1950, por meio da Resolução Hariri.
Assim, têm-se uma espécie de constituição flexível, havendo a possibilidade de o Knesset mudar as Leis Fundamentais.
Chamado pelos israelenses de "Rei Bibi", o premiê Netanyahu diz ter ganhado a eleição, com as 53 cadeiras.
Mas não ganhou. Os partidos de oposição, somados, obtiveram 67 cadeiras.
O partido mais votado foi o Likud de Netanyahu, porém, sem maioria para emplacá-lo.
Por isso, o "Rei Bibi" não conseguirá continuar primeiro-ministro de Israel, salvo por negociação futura e puxando partidos opositores de direita.
O segundo partido mais votado, com 21 cadeiras, é liderado pelo grande opositor de Netanyahu, o general Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-maior. Esperava-se que o seu partido, o Yashar, suplantasse o Likud.
Caso logre unir a oposição, com as 67 cadeiras, Eisenkot seria primeiro-ministro. Mas, na visão dos cientistas políticos israelenses, essa possibilidade é remota.
Os quatro partidos árabes obtiveram 19 cadeiras. Eles não apoiam Eisenkot, e seus membros têm urticárias só de ouvir o nome de Netanyahu —o primeiro-ministro teria enviado capangas para intimidar e afugentar os árabes-palestinos dos locais de votação.
Bibi fez impugnações, mas a Corte Suprema garantiu a participação dos partidos árabes, cujos integrantes têm residência em Israel. Importante: a Corte Suprema possui jurisprudência e, historicamente, defende a minoria árabe-palestina, cerca de 20% da população de Israel.
É interessante que um dos partidos árabes, o Balad (Assembleia Nacional Democrática), defende a tese do chamado "Estado de todos", se contrapondo ao Estado apenas judeu.
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