Quem vai aderir ao novo golpe dos Bolsonaros?
Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)
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Flávio Bolsonaro coroou-se líder de uma campanha contra uma "tirania", um "regime de exceção", uma eleição "roubada". Comparou-se a Charles de Gaulle (1890-1970), general que liderou a resistência contra a ocupação nazista da França (1940-1944), depois presidente do país.
Em grau de delírio ignaro um tanto menor, mas politicamente mais perigoso, se comparou a políticos que combatiam no exílio a ditadura chavista. Estaria sugerindo uma intervenção trumpista? Qual delas? A que sequestrou o ditador Nicolás Maduro ou aquela que mantém no poder da Venezuela a esbirra neocolonial Delcy Rodríguez ?
Flávio Bolsonaro nem pode ter a graça do Napoleão de hospício. É um ridículo sinistro, uma ordenança de porão, de onde saiu sua família, moleque de recados de uma gente que não chama de ditadura o que aconteceu aqui de 1964 a 1985. Mas passemos.
O essencial é que, quando um Bolsonaro perde a eleição, tenta um golpe ou convoca um. Quem vai aderir ao novo golpe dos Bolsonaros?
O governador reeleito de São Paulo , Tarcísio de Freitas (Republicanos), não aderiu . No dia da escafedida flaviana, já dissera que a eleição passou. Nesta quarta (28), sabendo do "pronunciamiento" de Flávio, Tarcísio fez questão de não brigar com família e sectários, sempre uma base eleitoral a manter, mas não respaldou a carta.
Foi o que disse em nota enviada a esta Folha : "A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente".
Em entrevista coletiva improvisada, o senador Rogério Marinho ( PL ), chefe da campanha flaviana, foi na mesma linha. A autoproclamação inicial de Flávio Bolsonaro, "presidente eleito" dos " Estados Unidos do Brazil", e o resto da carta seriam resultado de choque da derrota, "um desabafo" .
Quanto à acusação de fraude eleitoral, Marinho e o PL não poderiam dizer nada. E mudou de assunto. União Brasil, PSD e MDB disseram que a eleição foi correta.
O que dirão forças socioeconômicas da coalizão bolsonarista? O evangelismo político de direita? O agro? Parte da finança? Militares da cúpula das Forças Armadas? Os políticos influencers do PL?
Há o risco Donald Trump . Naquelas entrevistas coletivas improvisadas em que diz barbaridades curtas, pela terceira vez falou mal da eleição brasileira, desta vez de modo mais ameno (antes, dissera que a eleição teria sido arranjada, uma corrupção terrível etc.). Mas afirmou que não iria se envolver na carta ao nojo brasileiro de Flávio Bolsonaro.
Marco Rubio , secretário de Estado dos EUA, chefe da política externa e pré-candidato a presidente, detesta a esquerda, democrática ou não. Quer tomar Cuba em breve. A derrota da extrema direita no Brasil ainda pode vir a ocupá-lo. No entanto, nas próximas semanas, Trump, Rubio e cia.
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