Poranga Marandúa é o primeiro manual indígena do jornalismo brasileiro
Manaus (AM) – A prática do jornalismo produzido por indígenas brasileiros ganhou mais uma importante ferramenta de inclusão no país: o primeiro manual de redação “Poranga Marandúa”, que na língua Nheengatu – da família Tupi-Guarani e originária da Língua Geral – significa “boa notícia”.
O jornalismo não vive só de “boas notícias”, mas com o documento, os indígenas jornalistas querem evitar problemas recorrentes em diversos veículos da imprensa do país, como o uso dos termos “índio”, “tribo” e “selva”, e a repetição de pautas que apresentam os povos originários a partir da ótica do estereótipo e da extrema violência, sem o devido cuidado com a segurança de lideranças em denúncias as violações nos territórios.
A iniciativa inédita do “Poranga Marandúa” é da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor) que, em 2024, realizou um primeiro encontro com 30 profissionais, em Brasília.
Na produção do manual de redação, 40 etnias participaram da elaboração do documento com orientações para uma cobertura que confronte o racismo nas coberturas jornalísticas e os estereótipos historicamente associados à identidade indígena na mídia brasileira.
A jornalista Luciene Kaxinawá , coordenadora da Abrinjor, explica que a partir desse encontro surgiu a ideia de criar o manual, cuja elaboração levou cerca de um ano e meio, entre reuniões, divisão dos capítulos, escrita e revisão coletiva.
“A parte gráfica foi construída por uma indígena, a editora é uma editora do Instituto Kaingang, que é uma organização indígena do Sul do Brasil.
Todo o manual foi pensado e elaborado por indígenas”, afirma.
Lançado oficialmente no último dia 10 de agosto, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), a ideia de elaborar um manual de redação do jornalismo indígena, segundo Luciene Kaxinawá, surgiu da ausência de pluralidade na cobertura jornalística, que pouco fala sobre economia, geração de renda e valorização de saberes tradicionais dos 391 povos existente no país.
Os estereótipos e preconceitos Lançamento do Poranga Marandúa, em Brasília (Foto: Ana Clara Gonçalves ).
Embora o manual aponte diversas falas racistas e práticas inadequadas, a imprensa tradicional é duramente criticada por perpetuar padrões coloniais e absurdos que desumanizam, estereotipam e ridicularizam os povos originários.
Entre as críticas mais contundentes presentes no documento, destacam-se: “a cobrança de ‘performance estética’ (“Índio de iPhone”): Os indígenas jornalistas também criticam a mídia hegemônica e a sociedade “por questionarem a identidade de um indígena pelo fato de ele morar na cidade, ter formação acadêmica ou usar tecnologias cotidianas (como celulares de marca ou carros)”, diz o documento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em amazoniareal.com.br — o conteúdo pertence a Amazônia Real.