“IA pode fazer advogado trabalhar mais, não menos”, diz executiva da Harvey
Balança dourada ao lado de um laptop | Crédito: Canva A inteligência artificial pode fazer advogados trabalharem mais, não menos, avalia Anna Amoedo, Senior Customer Success da Harvey , startup de IA para o setor jurídico avaliada em cerca de US$ 15,5 bilhões.
Para ela, o ganho de produtividade tende, pelo menos no início, a ser convertido em mais volume de trabalho, e não em redução da jornada.
“É inegável que existe um paradoxo”, afirmou Anna em painel no Legal ao Cubo, evento realizado em São Paulo nesta quarta-feira (7).
A discussão passa pelo modelo de cobrança por hora, ainda comum no mercado jurídico.
Se uma tarefa que levava dez horas passa a ser feita em três com o uso de IA, exemplificou a executiva, a dúvida é se o escritório passa a cobrar três horas em vez de dez.
Anna, que mora nos Estados Unidos, disse que essa discussão é especialmente relevante no mercado norte-americano.
No Brasil, a precificação por hora também é comum, observou Marina Procknor, sócia do escritório Mattos Filho .
Três caminhos Para Anna, existem três caminhos possíveis para o tempo liberado pelo uso da tecnologia.
O primeiro seria fazer em três horas o que antes levava dez e simplesmente ficar com as sete horas restantes livres.
A executiva considera esse cenário improvável.
O segundo seria usar o tempo ganho para assumir mais trabalhos.
Se uma tarefa passa a levar três horas em vez de dez, o escritório consegue atender mais demandas no mesmo período e pode até aumentar o faturamento.
Para Anna, esse tende a ser o cenário mais provável, pelo menos no início da adoção da IA.
“Acho que a realidade é que vamos começar a trabalhar mais, como ocorreu em todas as revoluções tecnológicas da nossa história”, afirmou.
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