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Mattos Filho quer ser o incumbente que lidera a transformação com IA

Por Redação 5News · · com informações de Startups.com.br
Mattos Filho quer ser o incumbente que lidera a transformação com IA

Mattos Filho aposta em posição de incumbente transformador diante da IA

O cenário atual de expansão das aplicações de inteligência artificial está forçando uma revisão profunda de praticamente todos os modelos operacionais que norteiam os grandes escritórios de advocacia. Durante décadas, o setor jurídico empresarial manteve estruturas e processos de trabalho com poucas variações significativas. Agora, conforme a tecnologia avança, surge a necessidade de repensar desde os fluxos diários até a própria forma como os profissionais entregam seus serviços aos clientes.

O Mattos Filho, um dos principais escritórios brasileiros de direito empresarial, tem uma perspectiva particular sobre como navegar essa transformação. Em vez de tentar se reinventar como uma organização nascida do código e das máquinas — uma postura que alguns competidores podem buscar —, o escritório opta por um caminho diferente: manter sua identidade consolidada enquanto incorpora os avanços tecnológicos de forma estratégica e pensada.

Marina Procknor, uma das sócias da instituição, deixa clara essa posição em conversa exclusiva. Segundo ela, o escritório nunca se posicionará como uma empresa nativa de tecnologia, mas busca ocupar um espaço distinto no mercado como um players consolidado capaz de conduzir a própria transformação do setor. Essa ambição revela uma confiança em que as fundações construídas ao longo das décadas podem ser o alicerce para uma evolução bem-sucedida.

Uma história de transformação contínua

A disposição do Mattos Filho para abraçar mudanças não é algo recente ou ligado apenas ao surgimento das ferramentas de inteligência artificial. O escritório já carrega uma trajetória de inovações estruturais que precede a atual onda de tecnologia.

Um exemplo emblemático é a reformulação da governança e do sistema de remuneração dos sócios realizada entre 2009 e 2010. Naquela época, enfrentando um cenário bem diferente do atual, o escritório decidiu romper com uma lógica individualista que predominava na profissão. A instituição buscou referências em grandes escritórios europeus e norte-americanos para construir um modelo alternativo, baseado em colaboração institucionalizada e em incentivos que favoreçam a resiliência da organização no longo prazo.

Essa mudança foi tão significativa que chegou a se tornar um case de estudo na Universidade de Harvard, indicando que a instituição brasileira estava à frente do pensamento estratégico sobre como estruturar grandes organizações jurídicas. Marina Procknor destaca que essa movimentação reflete uma mentalidade organizacional: a compreensão de que o escritório precisa estar constantemente se reinventando, evitando a acomodação que pode levar à obsolescência.

Ao longo dos anos subsequentes, essa filosofia continuou se manifestando. O Mattos Filho implementou um novo plano de carreira, contando com o auxílio de consultorias internacionais de renome. Além disso, o escritório expandiu suas práticas para áreas emergentes, como questões ambientais, sociais e de governança — conhecidas pela sigla ESG em inglês — e também adentrou o universo dos fundos de investimento. Cada uma dessas movimentações representou uma disposição para testar novos modelos, quebrar paradigmas estabelecidos e aprender com experiências externas.

Mais do que apenas incorporar ferramentas

O pensamento do Mattos Filho em relação à transformação digital atual vai além da simples adoção de softwares ou plataformas de inteligência artificial. Marina Procknor oferece uma perspectiva clara sobre o desafio real: não se trata apenas de colocar novas ferramentas nas mãos dos profissionais e esperar que a mágica aconteça.

O verdadeiro trabalho envolve reimaginar os fluxos de trabalho que foram construídos ao longo de décadas. Muitas das mudanças necessárias, segundo ela, nem sequer são sobre inteligência artificial em si, mas sobre a automação de processos que atualmente são conduzidos manualmente, sobre a capacidade de extrair mais valor dos dados que a organização já possui, e sobre a reconfiguração completa de rotinas que foram montadas há muito tempo e que permanecem praticamente intactas.

Essa abordagem é mais profunda e exigente do que simplesmente implementar uma nova tecnologia. Requer análise cuidadosa de cada etapa do trabalho realizado, compreensão de quais tarefas podem ser otimizadas, quais podem ser automatizadas e quais exigem ainda mais intervenção humana qualificada. É um processo de ressignificação que toca toda a organização.

A estratégia de tecnologia do escritório

No que diz respeito à implementação tecnológica propriamente dita, o Mattos Filho adota uma estratégia de dupla frente. O escritório utiliza ferramentas disponíveis no mercado, adquirindo soluções já desenvolvidas e testadas por outras organizações. Ao mesmo tempo, investe no desenvolvimento interno de aplicações e sistemas que atendam a necessidades específicas da instituição.

De acordo com a análise de Marina Procknor, essa coexistência de soluções externas e desenvolvimentos internos tende a se consolidar como padrão entre as grandes organizações jurídicas durante os próximos anos. As bancas que conseguirem combinar de forma inteligente a tecnologia disponível no mercado com criações próprias, pensadas especificamente para seus processos e clientes, provavelmente sairão na frente da transformação.

Essa combinação estratégica permite que o escritório se beneficie tanto da agilidade e do conhecimento acumulado de startups e empresas de tecnologia quanto da capacidade de customização e alinhamento com a realidade específica de suas operações.

O essencial não é a ferramenta, é o pensamento

Um insight crucial emerge da perspectiva compartilhada: o maior desafio não está em ter acesso à melhor tecnologia disponível no mercado. Está, fundamentalmente, em repensar os processos considerando a tecnologia já integrada a eles desde o início do desenho.

Essa é uma mudança de mentalidade que vai além da implementação técnica. Significa que ao reimaginar um fluxo de trabalho, a tecnologia não é adicionada como um elemento posterior, mas é considerada como parte integrante da solução desde sua concepção. É planejar pensando em como máquinas e humanos trabalharão juntos, em quais decisões máquinas podem suportar, e em que momentos a experiência e o julgamento humano continuam sendo insubstituíveis.

O que acompanhar

Os próximos meses e anos serão decisivos para observar como o Mattos Filho concretiza essa transformação. É possível que o escritório apresente mudanças significativas em como seus profissionais estruturam o trabalho diário, em quais tipos de tarefas acabam sendo delegadas a sistemas de automação, e em que medida o plano de carreira evolui para incluir novas competências ligadas à gestão e compreensão de ferramentas tecnológicas. Também será relevante acompanhar se essa abordagem de incumbente transformador se torna um diferencial competitivo capaz de atrair clientes que buscam não apenas serviços jurídicos, mas consultoria integrada com tecnologia otimizada.

Principais pontos:

• O Mattos Filho rejeita o rótulo de empresa nativa de tecnologia e aposta na posição de incumbente capaz de liderar a transformação do mercado jurídico.

• A mudança de governança e remuneração realizada entre 2009 e 2010 criou um precedente de disposição para reinvenção que precede a atual onda de IA.

• A transformação não passa apenas pela adoção de ferramentas, mas pela reimaginação de fluxos de trabalho estruturados há décadas e pela automação de processos.

• O escritório combina soluções tecnológicas externas com desenvolvimentos internos, integrando a tecnologia ao desenho dos processos desde sua concepção.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Startups.com.br — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em startups.com.br — o conteúdo pertence a Startups.com.br.

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