Megaobra de 400 mil toneladas está montando uma máquina de 23 mil toneladas capaz de trabalhar com temperaturas de 150 milhões de graus
O projeto combina engenharia pesada, ímãs supercondutores e plasma extremo para testar uma tecnologia ainda distante das usinas comerciais.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Uma estrutura capaz de concentrar plasma a 150 milhões de graus está tomando forma dentro de um complexo que levará centenas de milhares de toneladas sobre sua fundação. O ITER , em construção no sul da França, monta o maior tokamak já projetado para estudar fusão nuclear em escala inédita.
A temperatura extrema é necessária para criar um plasma em que núcleos leves possam se fundir. No tokamak ITER , campos magnéticos manterão esse plasma afastado das paredes da câmara enquanto sistemas de aquecimento elevam sua energia.
Os 150 milhões °C equivalem a cerca de dez vezes a temperatura do núcleo do Sol. A diferença existe porque, na Terra, não há a enorme pressão gravitacional de uma estrela para facilitar as colisões entre os núcleos.
O tokamak será formado por cerca de um milhão de componentes e dez milhões de peças. A câmara de vácuo, os ímãs, o criostato e sistemas auxiliares precisam ser posicionados com grande precisão para funcionar como uma única máquina.
A câmara de vácuo é dividida em nove grandes setores . Em 28 de julho de 2026, o sexto módulo foi instalado no poço do tokamak, levando a montagem do núcleo toroidal a dois terços do total.
As 400 mil toneladas não correspondem apenas ao tokamak. Esse número representa a carga apoiada sobre a base inferior do complexo, somando edifícios, equipamentos e a própria máquina de 23 mil toneladas.
A fundação precisa distribuir esse peso e lidar com forças geradas durante a operação. O projeto inclui estruturas de concreto, apoios e sistemas sísmicos projetados para preservar a integridade do complexo diante dessas cargas.
O tokamak terá cerca de 30 metros de altura e largura, volume de plasma de 840 m³ e aproximadamente 10 mil toneladas de ímãs supercondutores . O objetivo técnico é demonstrar produção de 500 MW de potência de fusão em cenários de alto ganho.
A documentação oficial do ITER compara as 23 mil toneladas da máquina a três torres Eiffel e informa que o peso total sobre a base supera o do Empire State Building.
Não. O ITER é uma instalação experimental , não uma usina comercial. Sua finalidade é demonstrar a viabilidade científica e tecnológica da fusão em escala de reator, além de testar sistemas necessários para futuras máquinas capazes de aproveitar essa fonte de energia.
O projeto pretende alcançar ganho de fusão Q ≥ 10 em determinados cenários, produzindo 500 MW de potência de fusão com até 50 MW de potência de aquecimento externo aplicada ao plasma. Isso não significa entregar 500 MW elétricos à rede.
A dificuldade do ITER está em fazer componentes gigantes, campos magnéticos intensos , temperaturas extremas e sistemas criogênicos funcionarem juntos. Enquanto o plasma chega a 150 milhões °C, partes dos ímãs operam próximas de 4 kelvin , cerca de -269 °C.
O avanço da montagem transforma décadas de fabricação internacional em uma instalação experimental.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.