Gastos com fumo sobem 12,2% em Campinas mesmo com avanço no número de pessoas que deixaram de fumar
Gastos com fumo sobem 12,2% em Campinas mesmo com menos pessoas fumando As famílias de Campinas devem gastar R$ 348,4 milhões com cigarros, charutos, fumo para cachimbo, isqueiros, fósforos e outros produtos relacionados ao tabagismo em 2026.
O valor representa uma alta de 12,2% em relação aos R$ 310,5 milhões estimados para 2025, segundo levantamento do IPC Maps.
Para o economista e professor da PUC-Campinas, Eli Borochovicius, o crescimento ocorre em um contexto que não necessariamente indica aumento do número de fumantes e pode estar relacionado ao encarecimento dos produtos ou à intensificação do consumo entre quem ainda mantém o hábito.
"O programa de controle do tabagismo nas Unidades Básicas de Saúde de Campinas tem ampliado o atendimento e os números indicam uma considerável queda no número de fumantes", afirma.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o número de pessoas inscritas no programa que deixaram de fumar dobrou em dois anos.
Saltou de 784, em 2023, para 1.568, em 2025.
Neste sábado (29) é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.
O que pode explicar o aumento? Na avaliação de Borochovicius, se há uma redução de fumantes e os gastos aumentaram, "é possível inferir que os preços subiram acima da média da inflação ou ainda, o que pode ser mais grave, o consumo daqueles que se mantêm fumando foi ampliado", afirma.
Segundo o especialista, os números sugerem que as políticas públicas voltadas à redução do tabagismo têm apresentado resultados, mas o comportamento do mercado e dos consumidores pode estar produzindo efeitos que aumentam o volume financeiro movimentado pelo setor. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp "Então, o programa de controle mostra eficiência na redução do hábito de fumar pela população, mas o mercado reage com reajustes de preço ou ainda, aqueles que mantêm o hábito de fumar passaram a consumir mais, elevando o gasto individual", explica.
A atendente Yasmin Jennifer, de 25 anos, conta que fuma desde a adolescência e consome, em média, um maço de cigarros por dia.
"De quanto acordo até a hora de dormir", avisa.
Questionada se costuma contabilizar o gasto mensal com cigarros, adota uma resposta direta: "Prefiro não fazer".
Considerando um maço por dia, o consumo chega a 30 maços por mês, tornando o cigarro uma despesa permanente no orçamento.
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