'É um enorme retrocesso', diz Tifanny sobre banimento de mulheres trans pela CBV
Tifanny Abreu se pronunciou pela primeira vez sobre a decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de adotar uma nova política de elegibilidade para atletas da categoria feminina. Após a derrota por 3 sets a 2 para o Pinheiros, neste sábado (15), pela estreia no Campeonato Paulista, a jogadora classificou a medida como um “enorme retrocesso” e afirmou que a decisão pode comprometer sua carreira no esporte.
“O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem”, declarou Tifanny.
A atleta também destacou que os efeitos da nova política também têm impacto coletivo e estrutural.
“Isso não afeta somente a mim. Afeta meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim, o direito de todas as pessoas trans”, afirmou.
Tifanny ainda demonstrou sua tristeza e indignação com a norma ao sinalizar que estamos caminhando para o passado.
“É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e inclusão de todas as pessoas no esporte. Voltamos para uma forma vexatória, como se testavam as atletas nos anos 60 e 70. Estamos em 2026. Não podemos ter esse retrocesso jamais”, finalizou.
Tifanny tem 41 anos e esta pode ser a última temporada de sua carreira. A jogadora entrou para a história do voleibol brasileiro ao se tornar a primeira atleta trans a atuar na Superliga feminina, em 2017. Desde então, defende sua permanência no esporte e já disputou diversas temporadas da principal competição nacional.
Entre os critérios estabelecidos está a exigência de uma triagem genética para verificar a presença do gene SRY, associado ao cromossomo Y e as características sexuais e biológicas masculinas. De acordo com a CBV, a atleta que não comprovar a elegibilidade não poderá participar das competições abrangidas pela nova política.
A medida será aplicada a partir da Superliga A e B da temporada 2026/27, além da Supercopa 2026, da Copa Brasil 2027, do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e do CBVP Challenger 2027.
A entidade afirmou ainda que a recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar. No entanto, a atleta que não apresentar a comprovação exigida ficará impedida de disputar as competições.
Apesar da nova determinação nacional, Tifanny está liberada para defender o Osasco no Campeonato Paulista. Isso ocorre porque o Estadual começou antes da publicação da nova política da CBV.
A Federação Paulista de Vôlei (FPV) informou que a competição seguirá as regras que estavam vigentes quando teve início, em 13 de agosto. Considerando que a determinação da CBV ocorreu depois, em 14 de agosto. Por esse motivo, a nova política não será aplicada imediatamente ao torneio.
A entidade paulista afirmou que eventuais mudanças futuras serão analisadas pelas áreas jurídica e de saúde.
Com isso, Tifanny poderá continuar atuando normalmente pelo Osasco no Estadual.
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