Atentado mostrado na Netflix explica por que sua bagagem não voa sem você
Se você despacha uma mala e não embarca no avião, ela provavelmente não seguirá viagem também. A companhia aérea pode retirar a bagagem da aeronave ou submetê-la a novos procedimentos de segurança antes de transportá-la.
Isso explica por que, algumas vezes, quando estamos esperando para decolar, funcionários da companhia aérea anunciam o nome de algum passageiro e pedem para ele procurar os comissários, por exemplo, justamente para ter certeza de que ele está a bordo, entre outros motivos.
A regra, hoje corriqueira nos aeroportos, está ligada a uma das maiores tragédias da história da aviação. Em 21 de dezembro de 1988, uma bomba escondida em uma mala destruiu o voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie, na Escócia. Morreram 259 pessoas a bordo e outras 11 em solo.
O atentado voltou ao noticiário com a série "O Atentado ao Voo Pan Am 103", disponível na Netflix. A produção dramatiza o ataque e a investigação internacional que se seguiu. Mas a história também ajuda a explicar por que uma mala despachada não pode simplesmente continuar a viagem quando seu dono fica no chão.
O voo 103 havia partido de Londres com destino a Nova York. Pouco depois da decolagem, uma explosão destruiu o Boeing 747 sobre Lockerbie. Destroços atingiram casas da cidade e mataram outras 11 pessoas.
A investigação apontou que uma bomba estava escondida dentro de uma mala. O artefato havia sido colocado em um rádio-gravador e acondicionado em uma bagagem que passou por diferentes aeroportos antes de chegar ao Boeing da Pan Am.
Segundo a Justiça escocesa, a mala havia sido transportada de Malta para Frankfurt, na Alemanha, no voo KM180 da Air Malta. Depois, teria seguido para Londres no voo PA103A e, em Heathrow, sido transferida para o PA103, que continuaria até Nova York.
O detalhe decisivo era que a bagagem havia percorrido seu caminho sem o passageiro correspondente.
O atentado de Lockerbie não criou a regra de que a bagagem não deve viajar sem seu dono em si, mas reforçou a prática em escala mundial. Antes do atentado, companhias aéreas e aeroportos já tinham procedimentos para impedir que uma mala viajasse sem o passageiro que a havia despachado. A Justiça escocesa registra que era normal verificar se todos os passageiros que haviam despachado bagagem tinham embarcado ou se havia outra garantia de segurança. Os procedimentos variavam entre empresas e aeroportos.
Algumas situações já adotavam regras exigindo que as bagagens não fossem transportadas sem seus donos a bordo, a menos que tivessem passado por controles de segurança. A medida tinha como objetivo reduzir o risco de sabotagem por meio de bagagens despachadas.
Lockerbie mostrou, porém, a necessidade de uma regra para que a cadeia de segurança funcionasse como deveria.
A tragédia expôs vulnerabilidades no controle de bagagens em conexão e impulsionou novas medidas. A Icao afirma que o atentado mobilizou o setor para corrigir deficiências de segurança e levou, entre outras iniciativas, à criação de um grupo de especialistas para estudar a detecção de explosivos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.