Pix pode ganhar conexão direta com sistema europeu de pagamentos instantâneos
O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram nesta quinta-feira (24) uma fase de avaliação sobre a viabilidade de interligar o Pix ao TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), o sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Eurosistema, o conjunto formado pelo BCE e pelos bancos centrais dos países que usam o euro.
A ligação entre os dois sistemas pode permitir que remessas internacionais e pagamentos de compras entre o Brasil e a zona do euro sejam feitos em poucos segundos, com o dinheiro chegando ao destinatário já na moeda local.
Em comunicado, o BC apontou que os fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e a área do euro são significativos, e que a conexão pode tornar esses pagamentos mais rápidos, eficientes e baratos.
As duas instituições vão analisar aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio da conexão.
Não há, por ora, prazo para a conclusão do estudo nem data prevista para que a interligação comece a funcionar.
O BCE informou que o conselho da instituição aprovou o início da avaliação e destacou, em nota à imprensa europeia, o porte do sistema brasileiro, com cerca de 250 milhões de pagamentos por dia.
Pix na mira de Washington A aproximação com a Europa se dá em meio a disputa comercial entre Estados Unidos e Brasil.
O Pix foi um dos alvos da investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da lei de comércio americana, que também incluiu etanol, propriedade intelectual, comércio digital e desmatamento.
Os americanos alegam que o BC atua ao mesmo tempo como regulador e dono da plataforma, o que limitaria as taxas cobradas por concorrentes privados dos EUA.
A investigação foi encerrada em 15 de julho, com a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das importações de produtos brasileiros, em vigor desde 22 de julho.
As duas delegações retomaram as negociações em 31 de agosto, sem acordo, e combinaram novas rodadas ao longo de setembro.
Em seu discurso na ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não vai "ceder as pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix".
Europa mais próxima Do outro lado do Atlântico, a relação do Brasil com a Europa ganhou fôlego neste ano.
O acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado em 17 de janeiro, aprovado por unanimidade pelo Senado brasileiro em 4 de março, e teve sua parte comercial em vigor de forma provisória a partir de 1º de maio.
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