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Entenda como alvos da Operação Carbono Oculto atuavam no sistema financeiro

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Entenda como alvos da Operação Carbono Oculto atuavam no sistema financeiro

A terceira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (24) e aponta suspeitas do uso do sistema financeiro com contas e fundos de investimento para ocultar a compra de uma distribuidora de combustíveis.

Dono de fintechs usou sua estrutura para ocultar os donos de uma usina de açúcar e álcool. Embora a usina estivesse em nome de fundos de investimento aparentemente independentes, o controle real continuava com os investigados no desdobramento da Carbono Oculto. Eles tiram montado estruturas paralelas para ocultar os verdadeiros donos das empresas.

Suspeitos simularam uma operação de R$ 370 milhões em direitos creditórios para lavar dinheiro de forma circular. O grupo teria comprado créditos da usina usando as cotas de um fundo que eles mesmos controlavam. Segundo o Ministério Público de São Paulo, a estratégia tinha o objetivo de aparentar legalidade nas transações.

Grupo usou contas rápidas em fintechs para enviar R$ 100 milhões e viabilizar a compra da distribuidora. Os recursos passaram "em poucos minutos" por contas gráficas de três empresas do grupo ocultadas pelas chamadas "contas bolsões" administradas pelas fintechs, até chegar à usina sucroalcooleira.

Fraude incluiu um investimento bancário casado para capitalizar empresas de fachada. Um fundo de investimento comprou um CDBV (Certificado de Depósito Bancário Vinculado), e o banco emitiu crédito para empresas fantasmas do próprio grupo ocultar os beneficiários.

Fundos imobiliários serviram para esconder e proteger o patrimônio pessoal dos alvos. As investigações apontam que móveis do grupo eram transferidos para esses fundos, o que dificultava a identificação dos reais proprietários e criava uma barreira jurídica. Os bens permaneciam sob o controle econômico do grupo investigado, mas deixavam de figurar diretamente em seu patrimônio pessoal.

Modelo foi criado para dificultar a identificação dos reais proprietários, proporcionando blindagem patrimonial. A principal empresa financeira usada na fraude movimentou R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. O montante bilionário reforça os indícios de que operadores do mercado financeiro vendiam serviços de lavagem de dinheiro para organizações criminosas.

Operação Crédito Oculto cumpriu mandados contra suspeitos de lavar dinheiro para o setor de combustíveis. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e mira 29 endereços ligados a 13 pessoas e 24 empresas nos estados do Rio de Janeiro, de Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e do Espírito Santo.

Parte dos alvos da ofensiva é de nomes relacionados ao mercado financeiro. Entre os investigados estão o diretor do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, que firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República nas investigações sobre o Banco Master.

Força-tarefa mobilizou órgãos federais e estaduais de segurança e fiscalização. Participam o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPSP, a Receita Federal, as polícias Civil e Militar.

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