Festival de Gramado coroa 'Nosso Segredo' após refletir sobre divisão no mundo hoje
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O Festival de Gramado chegou ao fim na noite deste sábado (22) coroando "Nosso Segredo" com o Kikito de melhor longa-metragem de ficção. O longa de Grace Passô ainda triunfou nas categorias de fotografia e direção de arte.
Nas outras alas principais, "Gonzaguinha, da Maior Liberdade", de Susanna Lira, foi eleito melhor documentário. " Feito Pipa " foi o preferido pelo júri popular e " Leite em Pó ", o preferido da crítica.
Entre as atuações laureadas, José Loreto e Christian Malheiros dividiram o prêmio de melhor ator —o primeiro por "Chorão: Só os Loucos Sabem" e o segundo, por "Justino - Nos Bastidores do Reino"— e Teca Pereira levou melhor atriz, por "Feito Pipa".
Também com o último filme, Lázaro Ramos foi escolhido melhor ator coadjuvante, enquanto Naruna Costa arrematou o troféu de atriz coadjuvante, por "Pele de Rinoceronte".
Tanto na premiação quanto nas rodas de conversa de Gramado, os filmes que mais empolgaram o festival neste ano foram justamente "Nosso Segredo", "Feito Pipa" e " Justino - Nos Bastidores do Reino ". Os três refletem sobre convivência e pertencimento em ambientes, por vezes, hostis. É uma coincidência interessante a pouco mais de um mês das eleições presidenciais.
"Feito Pipa" conta a história de Gugu —interpretado pelo promissor Yuri Gomes, que recebeu uma menção honrosa na premiação—, um garoto que mora em uma pequena cidade do Ceará com a avó, vivida Teca Pereira. A diferença geracional não impede o laço estreito dos dois, que encontraram família um no outro diante da ausência da mã'e de Gugu e da distância de seu pai, Batista, vivido por Ramos.
O pai não aceita o filho, que gosta de dançar e se maquiar. O menino também adora futebol, mas Batista não dá muita bola para isso. O menino parece um desvio na sua vida atual, ocupada por outra mulher e filhos, enquanto avó e neto criam códigos próprios para entender um ao outro.
"Nosso Segredo", primeiro longa-metragem da celebrada atriz e dramaturga Grace Passô , também joga luz no cotidiano de uma família. Mãe, tia e quatro filhos, três maiores de idade e um menino, vivem debaixo do mesmo teto. O pai, única pessoa branca da casa, morreu há pouco.
A convivência funciona, apesar do luto, mas há sempre uma tensão estranha no ar. É como se houvesse um assunto proibido que empesteia o local. Se os habitantes da casa fazem companhia uns aos outros, seu estranho silêncio alimenta o que parece ser uma força sobrenatural.
Já "Justino - Nos Bastidores do Reino", de José Belmonte, toca em um tema contemporâneo e mais político, ainda que abordado de forma intimista.
Baseado no livro "Nos Bastidores do Reino: A Igreja Universal do Reino de Deus", o filme mostra como a igreja Universal, do bispo Edir Macedo, conseguiu se tornar uma das instituições mais poderosas do país ao conquistar milhares de fiéis e expandir a sua influência para a mídia e a política.
O longa acompanha Justino, vivido por Christian Malheiros, da série " Sintonia ", garoto pobre que nasce em uma comunidade no Rio de Janeiro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.