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Saúde

Relatório da OMS mostra por que o câncer precisa ser tratado além da doença

Futuro da Saúde ·
Relatório da OMS mostra por que o câncer precisa ser tratado além da doença

Em novo artigo, o oncologista Fernando Maluf aborda a importância de garantir o cuidado adequado a pacientes com câncer em toda a jornada

No início de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um dos mais abrangentes relatórios já produzidos sobre o cenário global do câncer. Mais do que apresentar números preocupantes sobre o crescimento da doença, o documento faz um convite à reflexão: controlar o câncer é uma responsabilidade compartilhada entre governos, profissionais de saúde, pesquisadores, indústria farmacêutica, organizações da sociedade civil e pacientes.

O relatório analisa a evolução das políticas públicas de prevenção, rastreamento, diagnóstico e tratamento, reconhece os avanços extraordinários da ciência nas últimas décadas, mas deixa claro que ainda há um longo caminho para garantir que essas conquistas cheguem a todas as pessoas.

Segundo a OMS, cerca de 20,6 milhões de pessoas recebem um diagnóstico de câncer todos os anos no mundo, enquanto aproximadamente 10 milhões morrem em decorrência da doença. São mais de 26 mil vidas perdidas diariamente. A estimativa é de que a maioria das pessoas será impactada pelo câncer em algum momento da vida, seja por um diagnóstico próprio ou de um familiar próximo.

Mas talvez a principal contribuição do relatório seja lembrar que o câncer não pode ser visto apenas como uma doença. Ele transforma a vida das pessoas em diferentes dimensões e exige um cuidado verdadeiramente centrado no paciente.

Isso significa olhar para toda a jornada, desde a prevenção e o diagnóstico até o tratamento, a reabilitação, o acompanhamento após a alta e os cuidados com a saúde mental, a vida social e a qualidade de vida.

É justamente nesse contexto que o documento dedica atenção especial ao impacto econômico da doença, um tema que, por muito tempo, permaneceu invisível nas discussões sobre oncologia.

A primeira pesquisa global da OMS com pessoas afetadas pelo câncer mostrou que pelo menos 45% enfrentam dificuldades financeiras relacionadas à doença. Mais da metade relata desafios importantes para a saúde mental e praticamente todos os cuidadores afirmam sofrer algum tipo de sobrecarga, seja pelo trabalho não remunerado, seja pelo isolamento social ou pelas mudanças na rotina familiar.

Esse conjunto de impactos é conhecido como toxicidade financeira. O termo descreve as dificuldades econômicas provocadas pelos custos diretos e indiretos do câncer, incluindo despesas com medicamentos, exames, transporte, alimentação, cuidadores e, muitas vezes, a redução ou perda de renda decorrente do afastamento do trabalho.

As consequências vão muito além do orçamento familiar. A toxicidade financeira pode influenciar decisões sobre o tratamento, atrasar cuidados, reduzir a adesão às terapias e aumentar ainda mais o sofrimento de pacientes e familiares durante uma jornada que já é naturalmente difícil.

Foi justamente para ampliar esse debate que o Instituto Vencer o Câncer lançou recentemente o livro “Toxicidade Financeira: Entre a Vida e a Dívida”, escrito pela economista Gabriela Tannus.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.

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