Pais vivem luto sem fim 6 meses após ataque a escola símbolo da guerra no Irã
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Massoumeh Zakeri revive sem cessar sua última noite com a filha de nove anos, morta há seis meses em uma escola no sul do Irã durante as primeiras horas dos bombardeios israelenses e americanos que desencadearam a guerra no Oriente Médio .
Naquela noite, sua filha, Motahareh, falava com entusiasmo sobre as próximas férias, os casamentos que estavam por vir e suas roupas. Pouco antes do amanhecer, durante o jejum muçulmano do Ramadã, ela comeu e depois Zakeri a colocou na cama.
Naquela manhã, Motahareh acordou antes dos pais e pegou o ônibus para a escola Shajareh Tayebeh, na cidade de Minab.
Algumas horas depois, começaram os ataques contra o Irã, e Zakeri recebeu uma ligação pedindo que fosse buscar a filha.
Motahareh foi uma das 155 pessoas mortas —entre elas, 120 crianças— naquele ataque, o mais letal da guerra, segundo as autoridades iranianas.
Seis meses depois, uma equipe da AFP obteve acesso exclusivo ao local onde ficava a escola, cercado por retratos das jovens vítimas. O prédio continua em grande parte em ruínas, com paredes desabadas e salas de aula repletas de escombros.
Bandeiras iranianas tremulam sobre os destroços, enquanto orações e cânticos patrióticos são ouvidos pelos alto-falantes.
Visitantes percorrem o local, que as autoridades querem preservar como um espaço de memória. As buscas pelos corpos de três crianças que continuam desaparecidas ainda prosseguem.
Zakeri confessa que não quis ver os restos mortais da filha, encontrados mais tarde naquele mesmo dia e identificados apenas "por suas pulseiras e brincos", por medo de apagar a última lembrança feliz que guarda dela.
O regime do Irã afirma que a escola foi atingida por dois mísseis americanos.
Nem a Casa Branca nem Israel assumiram a autoria do ataque , mas organizações de defesa dos direitos humanos, entre elas a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, atribuíram o bombardeio a Washington .
O jornal The New York Times, com base em autoridades americanas e pessoas próximas à investigação, apontou um erro de mira por parte das Forças Armadas dos Estados Unidos .
Yaghoub Yazdanpanah, 34, preparava-se naquele dia para buscar a filha de seis anos, Fatemeh, após receber ligações desesperadas de familiares.
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