‘Coreia ainda não é independente’, diz ativista no 81º aniversário do Dia da Libertação
A Coreia do Sul celebrou neste sábado (15/08) o 81º aniversário do Dia da Libertação – chamado de Gwangbukjeol em coreano que, na tradução, significa “data em que a luz foi restaurada”. Em 1945, as forças do Império do Japão se retiraram do país após 35 anos de uma ocupação ilegal marcada por forte repressão política, exploração e tentativa de apagamento da história nacional.
No centro da capital Seul, as celebrações anuais em memória à resistência coreana se concentraram nos arredores da tradicional Praça Gwanghwamun. O Gwangbukjeol deste ano, porém, retratou uma forte polarização política.
De um lado da rua, grandes comícios de grupos ultraconsservadores e evangélicos homenageavam a intervenção dos Estados Unidos no país, com cartazes prestigiando o governo de Donald Trump . Do outro, marchas de grupos progressistas e sindicatos trabalhistas rejeitavam a subordinação sul-coreana a Washington, reiterando a necessidade de proteger a soberania nacional.
No local principal de manifestações em Gwanghwamun, centenas de cidadãos seguravam bandeiras sul-coreanas, norte-americanas e israelenses. Questionado, um comerciante, que vendia cada unidade de bandeira a mil wons (cerca de quatro reais), relatou à reportagem que “não fazia ideia” do motivo pelo qual estava comercializando produtos que remetem a uma nação estrangeira em um feriado nacional.
Comerciante vende bandeiras da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e de Israel na Praça Gwanghwamun Opera Mundi/Rocio Paik
Uma sul-coreana, que não segurava a bandeira de seu país, mas as dos Estados Unidos e de Israel, disse que, se não fosse o auxílio de Washington ao longo dos mais de oitenta anos após a retirada do Japão, a Coreia do Sul não teria estado “bem como está hoje”. No entanto, ela não explicou por que estava prestigiando Tel Aviv.
A Opera Mundi , o ativista Dae Han Song, membro do Centro de Estratégia Internacional e do coletivo No Cold War, a Coreia do Sul se tornou “vítima do San Francisco System”, uma rede de alianças seguidas pelos Estados Unidos na região Ásia-Pacífico após o fim da Segunda Guerra Mundial.
“O dia 15 de agosto marca o fim do colonialismo japonês na Coreia. Mas a Coreia ainda não é independente. Quando os militares dos Estados Unidos chegaram, arriaram a bandeira japonesa, mas hastearam a bandeira norte-americana, não a coreana. Isso, apesar do surgimento de Comitês Populares por todo o país prontos para governar. No fim das contas, a Coreia do Sul tornou-se vítima do San Francisco System dos Estados Unidos”, afirmou.
Faixa em comício de extrema direita, com escritura errada em inglês, diz “Bem-vindo, presidente Trump” Opera Mundi/Rocio Paik
De acordo com Dae Han, Washington nunca desmantelou esse sistema de influência na região, mesmo após o término da Guerra Fria.
“Para que haja paz no Nordeste Asiático, para que os sul-coreanos sejam verdadeiramente independentes, precisamos desmantelar esse sistema de alianças militares bilaterais que está dividindo a região.
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