Batalha de Cuito Cuanavale: como cubanos e angolanos derrotaram o regime do apartheid
Há 39 anos, em 14 de agosto de 1987, tinha início a Batalha de Cuito Cuanavale, a principal campanha militar da Guerra Civil Angolana e o maior combate convencional travado no continente africano desde a Segunda Guerra Mundial.
A batalha opôs as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, apoiadas pelos governos de Cuba e da União Soviética, às forças da UNITA e da África do Sul. O conflito se estendeu por meses e mobilizou dezenas de milhares de soldados, centenas de tanques, artilharia pesada e intensa atividade aérea.
A vitória dos cubanos e angolanos no conflito foi essencial para consolidar o controle do MPLA sobre o território angolano e para viabilizar a independência da Namíbia, encerrando a ocupação sul-africana que já se estendia há mais de 70 anos. O triunfo também contribuiu para enfraquecer o regime do apartheid, ajudando a acelerar o colapso do governo da minoria branca na África do Sul.
Submetida a mais de quatro séculos de exploração e domínio colonial europeu, Angola proclamou sua independência em 11 de novembro de 1975. A autonomia foi conquistada após uma sangrenta guerra travada contra Portugal, que se estendeu por 13 anos e ceifou dezenas de milhares de vidas.
O processo de independência também foi impulsionado pela Revolução dos Cravos, ocorrida em Portugal em 1974. A derrubada da ditadura do Estado Novo e a posse de um governo provisório de inspiração socialista abriram caminho para a emancipação das colônias portuguesas na África.
O fim da guerra colonial, entretanto, não garantiu estabilidade política ao novo país, uma vez que o movimento independentista angolano estava fragmentado em três grandes organizações que divergiam profundamente em termos ideológicos.
O principal grupo guerrilheiro era o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), organização marxista-leninista liderada por Agostinho Neto, com forte presença nos centros urbanos. O segundo grupo era a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), comandada por Holden Roberto e com sua base no norte do país. Por fim, havia a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), de Jonas Savimbi, que se consolidaria como uma organização conservadora e anticomunista, concentrando apoio no sul angolano.
Ao término da Guerra de Independência, o MPLA controlava quase todas as províncias de Angola, além da capital, Luanda. O líder da organização, Agostinho Neto, o proclamador da independência, foi nomeado como primeiro presidente e instalou um governo de inspiração socialista. Os demais movimentos, no entanto, não aceitaram a legitimidade do governo do MPLA e iniciaram uma insurreição armada, dando início à Guerra Civil Angolana.
O conflito angolano adquiriu rapidamente uma forte dimensão internacional, tornando-se um dos muitos conflitos “por procuração” provenientes da polarização ideológica da Guerra Fria, opondo os blocos capitalista e socialista. O governo do MPLA recebeu apoio militar, econômico e diplomático da União Soviética e de Cuba.
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