‘Vicentina Pede Desculpas’: como é o filme que pode ir ao Oscar
Um ônibus cai de um viaduto e mata o motorista e quase todos os passageiros em “Vicentina Pede Desculpas”.
Na obra, a personagem-título, mãe do motorista, decide pedir desculpas aos familiares de todas as vítimas.
Vivida por Rejane Faria, a protagonista é assombrada por uma imagem quase artificial, do ônibus sendo destruído como num filme de ação, e tenta expurgar a culpa pelas ações do filho –que, aliás, ninguém sabe dizer se foram ou não premeditadas.
Alguns discordam de que ela precise carregar o fardo; outros tiram proveito para externar sua raiva.
É difícil prever quais reações encontrará.
O cineasta Gabriel Martins, do aclamado “Marte Um”, sentiu algo parecido nos últimos dias, quando lançou seu novo longa no Festival de Toronto.
A produção integra a mostra Platform, única seção competitiva do evento, com produções de artistas internacionais em evidência no cinema autoral.
Ele diz que acompanhou a primeira exibição do título com apreensão, tentando diagnosticar a reação geral ao filme a partir de gestos e barulhos numa sala quase lotada e cheia de estrangeiros.
O filme ainda terá outras três sessões durante o festival, na segunda, terça e sexta-feira desta semana.
“Gosto de histórias que me botam em situações sem saída”, disse ele, ao lado de Faria, num debate mediado por uma das programadoras do evento.
Martins explica que o choque entre a individualidade de se lidar com a dor e a experiência coletiva do luto foi um dos principais motivadores do projeto, inspirado na avó Vicentina, que ele perdeu aos 12 anos, e em outras vivências pessoais.
“Nós somos assolados por uma alienação coletiva, especialmente em períodos de eleição e de turbulência política, como o que vivemos agora no Brasil”, diz o cineasta à Folha.
“A observação desse coletivo sempre me interessou muito, já que tenho um sentimento de que, muitas vezes, esquecemos que a humanidade existe.” Na trama, a observação da vida alheia é estendida à imprensa, cujos noticiários invadem a casa escura de Vicentina pela TV.
São várias as cenas nas quais ela questiona a índole do próprio filho por causa de especulações da mídia, que tenta diagnosticar a tragédia a partir de depoimentos de pessoas próximas ao motorista.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.