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Ninguém perde uma eleição e ganha o direito de decidir quem compra pão

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Ninguém perde uma eleição e ganha o direito de decidir quem compra pão

Uma eleitora de boné do MAGA fez saudação nazista para um judeu na porta de um colégio no Rio. Uma pizzaria de João Pessoa avisou que não quer "esquerdistas, eleitores de larápios". Uma deputada estadual pediu que se conferisse a rede social do funcionário. Três histórias de um fim de semana de eleição e uma pergunta que ninguém quer responder. Como se vive num país do qual se pretende expulsar metade?

No domingo da votação, na porta do Colégio Santo Inácio, em Botafogo, uma eleitora de camiseta "Meu partido é o Brasil" e boné do MAGA fez a saudação nazista para um judeu. Ele disse que era judeu. Ela respondeu. "Pior ainda."

Naquele fim de semana, uma pizzaria de João Pessoa publicou um comunicado. "A pizzaria Mangiare solicita aos esquerdistas, eleitores de larápios, que não venham aqui comprar. Não podemos impedir, mas não fazemos nenhuma questão de os receber." Apagou o texto depois de dizer que foi notificada pelo Ministério Público e foi impactado por avaliações negativas no Google Meu Negócio e ReclameAqui.

Vale reler a segunda frase. Não podemos impedir. Quem escreveu sabia que não podia. Escreveu assim mesmo, porque sabia que ninguém cobraria.

Na segunda-feira seguinte à votação, o país acordou com uma lista. Não de presos nem de procurados. Mas, de colegas de trabalho.

Em menos de 42 horas, o Ministério Público do Trabalho recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral, mais da metade do total do primeiro turno. Muitas repetiam o mesmo pedido, feito pela deputada estadual Amanda Brandao Armelau, conhecida como Índia Armelau, a mais votada do Rio e compartilhado por milhares de perfis. " EMPRESÁRIO, OLHA A REDE SOCIAL DO TEU FUNCIONÁRIO AI E CONFERE SE ELE FEZ "L". ACHO QUE NÃO FAZ SRNTIDO NENHUM MANTER NA TUA EMPRESA QUEM ODEIA EMPRESÁRIOS" . A Justiça do Trabalho a proibiu de continuar e ela se retratou. Apagou a postagem. A ideia continua no ar.

O que os três têm em comum não é o lado. É o erro de origem. Os três tratam o voto como certidão de caráter. E quem trata o voto como certidão de caráter precisa, para ser coerente, negar pão a quem tem a certidão errada.

Quem anuncia que só quer atender, vender, contratar ou empregar quem votou como ele precisa explicar como isso funciona na prática. Não em tese. Na fila do caixa, no plantão do hospital, no poste caído depois da chuva.

Em Paraisópolis, onde moro desde 1998, boa parte de quem divide a rua comigo nasceu em outro estado ou é filho de quem nasceu. O eletricista, o homem do botijão, a técnica de enfermagem, o motorista da van, quem recolhe o lixo às cinco da manhã, a professora da creche. Nenhum pergunta em quem eu votei.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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