MPMS apura suspeita de direcionamento e favorecimento de empresas no Detran
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para investigar suposto esquema de fraude, direcionamento e superfaturamento de licitações no Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) para serviços de sinalização viária.
O Detran sul-mato-grossense estaria praticando preços até 70% superiores aos de outros órgãos do Brasil.
Segundo a investigação, que consta no DOMP (Diário Oficial do MPMS) desta segunda-feira (14), o direcionamento das licitações acontecia por meio da inclusão de exigências técnicas restritivas e incomuns nos editais, como a obrigação de “preparo da superfície com jato de ar quente” ou a exigência de amostras de equipamentos de tecnologia recente e pouco utilizados no mercado, o que restringia a competição.
Conforme os documentos do MPMS a que o Campo Grande News teve acesso, essas cláusulas, impostas pelo Detran/MS nas licitações dos serviços de sinalização viária, limitariam a concorrência a apenas duas empresas em todo o Brasil, que estariam vencendo as licitações sem disputa real e dividindo os lotes entre si com os preços mais altos estipulados pelo órgão.
O MPMS aponta, ainda, que em contratos anteriores, como um de 2022, o Detran/MS teria pagado por serviços que não foram executados, valendo-se do fato de que a técnica de limpeza exigida não deixa rastros visíveis para a fiscalização.
Além disso, as duas empresas vencedoras da licitação atuam em consórcio desde 2017 em outros órgãos, o que caracterizaria conluio de grupo econômico, enquanto outras empresas entrariam na disputa apenas para dar “cobertura” e aparência de legalidade, segundo a 31ª Promotoria de Patrimônio Público.
Após o recebimento de diversas denúncias sobre o caso, o Ministério Público pediu ao Detran/MS que disponibilizasse informações sobre as referidas licitações, nas quais observou que, de forma recorrente, as vencedoras são sempre as mesmas duas empresas.
Agora, com a instauração do inquérito civil, o órgão voltou a cobrar novas respostas do Detran/MS e oficiou o diretor-presidente da instituição, Rudel Espíndola Trindade Júnior, para apresentar, em até 15 dias úteis, esclarecimentos sobre a necessidade da exigência de “preparo de jato de ar quente” nas licitações apuradas e explicar como se dá a fiscalização de um serviço invisível a “olho nu”, bem como o motivo da repetição sistemática das mesmas empresas vencedoras.
As duas empresas citadas na apuração também foram oficiadas para prestarem esclarecimentos no prazo de 15 dias.
O Campo Grande News entrou em contato com o Detran/MS, porém não obteve retorno até o fechamento da matéria.
O espaço segue aberto.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.