Carta de Flávio Bolsonaro e fuga do Brasil geram críticas até entre aliados e movimentam direita para 2030
Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA Eva Marie Uzcategui/Reuters A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota na eleição presidencial e a publicação de uma carta em que se autoproclamou presidente eleito provocaram críticas entre aliados, expuseram divisões na direita e levaram partidos de esquerda a reagir contra a contestação do resultado das urnas.
O episódio também abriu espaço para movimentações políticas de olho nas eleições de 2030.
Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avaliam que o desgaste de Flávio pode favorecer uma reorganização da direita em torno do nome do governador.
Na quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta em que se declarou "presidente eleito do Brasil".
Posteriormente, alterou o documento e passou a se apresentar como "líder" do país.
Flávio, no entanto, manteve os trechos em que não reconhecia o resultado do pleito e afirmava que as eleições foram roubadas.
A declaração provocou desconforto até mesmo entre integrantes do PL.
O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não gostou do conteúdo da carta e disse que nem mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro sabia da viagem do filho para os Estados Unidos.
"[Ele] passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos", declarou Valdemar.
Levantamento do g1 mostra que apenas um dos 15 aliados que acompanharam Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no discurso após a derrota eleitoral compartilhou a carta publicada pelo senador.
José Medeiros (PL-MT) divulgou e ainda mantém nas redes a versão em que Flávio se declara "presidente eleito".
Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou apenas a repercussão do termo.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, tentou minimizar a repercussão do documento e atribuiu a autodeclaração como presidente eleito a um "erro de confecção".
Nos bastidores, integrantes do PL ouvidos pela reportagem sob reserva avaliam que o episódio pode aprofundar o desgaste político do bolsonarismo e atingir outras lideranças do grupo, entre elas o próprio Rogério Marinho, que pretende disputar a Presidência do Senado.
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