O que Trump quer com a ‘guerra econômica’ contra o Irã?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite da quarta-feira 19 uma “guerra econômica” contra o Irã, em meio à estagnação de negociações no conflito que já dura quase seis meses.
Em um post na rede Truth Social, o republicano disse que Teerã “não soube aproveitar” a oportunidade de um acordo e prometeu “a mais devastadora operação econômica já realizada contra qualquer país”.
Por trás do tom ameaçador, no entanto, há sinais que foram deixados às claras pelo secretário do Tesouro americano , Scott Bessent, na quinta-feira, de que Trump não quer voltar à guerra.
A “guerra econômica” entra em cena depois de semanas de bombardeios e recuos. + Presidente iraniano diz ser hora de encerrar a guerra contra os EUA: ‘Estamos em vantagem’ “Se estivermos exercendo a pressão econômica máxima, isso significa que provavelmente não haverá uma retomada de ações cinéticas em larga escala”, disse Bessent.
“Mas eu ressaltaria: isso vale para o momento”.
Continua após a publicidade O secretário descreveu a estratégia como um “golpe duplo”, combinando as novas sanções ao bloqueio naval imposto pelos EUA em abril.
Washington busca paralisar o transporte pelo Estreito de Ormuz, via por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial antes de fevereiro, data do início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã, que desencadearam a guerra atual.
Washington instou também outros governos, incluindo a China, a se unirem aos esforços para isolar a economia iraniana – Pequim adquire mais de 80% do petróleo exportado pelos iranianos.
Questionado sobre as ameaças de Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, disse a repórteres nesta sexta-feira que “sanções e pressão não ajudarão a resolver a questão”.
Continua após a publicidade Como consequência, segundo especialistas ouvidos pelo The New York Times, Trump se vê preso em um conflito no qual dispõe pouca margem de manobra e enfrenta um adversário que se sente cada vez mais encorajado.
“O Irã interpreta agora que Trump não quer uma escalada militar”, disse Dennis B.
Ross, ex-negociador para o Oriente Médio que atuou sob presidentes de ambos os partidos, ao NYT.
Continua após a publicidade Nesta sexta-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ser hora de encerrar a guerra porque Teerã está, segundo ele, em posição de vantagem. + EUA vão impor ‘sanções mais duras da história’ ao Irã, diz secretário do Tesouro Continua após a publicidade “É melhor encerrarmos a guerra agora, enquanto estamos em uma posição de poder e dignidade, e o mundo inteiro reconhece nossa vitória e enfatiza que a América atacou nossas escolas, hospitais e infraestrutura, violando todas as normas, e é odiada em todo o mundo”, disse ele em uma reunião com médicos.
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