Parece Cuba, mas é Moscou: escassez de gasolina gera filas com até 80 carros em postos
Apesar da Rússia continuar bombardeando Kiev e outras cidades ucranianas com intensidade furiosa, como fez na última madrugada , o contra-ataque da Ucrânia vem dando resultados vísiveis — em especial no formato de enormes filas em postos de gasolina.
Disparos de drones de longo alcance contra a infraestrutura energética russa provocaram uma escassez de combustível tal que o Kremlin acabou admitindo o problema — e voltou a permitir o uso de combustíveis de baixa qualidade (anteriormente proibidos) para suprir a demanda, ao mesmo tempo em que prende aqueles que protestam publicamente contra a situação.
“A segunda onda da crise de combustíveis está ganhando força”, declarou o jornal Nezavisimaya Gazeta nesta semana.
Filas quilométricas Em visita à capital russa, Moscou, o repórter da emissora britânica BBC Steve Rosenberg falou com gente que passou mais de duas horas esperando para encher o tanque e contou pelo menos oitenta carros em um posto no sudeste da cidade.
Segundo o aplicativo de monitoramento Gdebenz, na última quarta 19, menos de um em três postos de gasolina em toda a Rússia tinham oferta de combustível, uma queda acentuada em relação aos 41% registrados na semana anterior.
“Dizem que vai chegar gasolina aqui, só não sabem quando.
Talvez hoje, talvez amanhã”, contou um moscovita ao repórter, acrescentando que não tinha combustível suficiente nem sequer para procurar outro lugar para abastecer.
O Benzinmap, serviço que monitora restrições e preços em todo o país, indicava também que restrições para abastecer carros — incluindo limites de volume por cliente, racionamento via QR Code e sistemas de rodízio baseados no final da placa (pares e ímpares) — estavam em vigor em quase todas as regiões do país no último sábado 15.
Os postos da Gazprom Neft, terceira maior empresa de petróleo e gás da Rússia, estabeleceram um limite temporário de 40 litros por pessoa; a Tatneft, quinta maior do setor, limitou a gasolina a 50 litros e o diesel, a 60.
Continua após a publicidade Contra-ataque ucraniano A crise é consequência direta dos enxames de drones que Kiev lança continuamente contra a infraestrutura petrolífera russa , numa tentativa de enfraquecer a principal fonte de renda que faz girar a máquina de guerra do país em meio à invasão da Ucrânia.
No início de julho, todas as principais refinarias da Rússia já haviam sido atingidas pelo menos uma vez.
E apenas nas duas primeiras semanas de agosto, quase uma dúzia de outras instalações foram alvo de ataques , incluindo um importante centro de refino em Yaroslavl, duas refinarias no Bascortostão e a infraestrutura de exportação no porto de Ust-Luga.
A edição russa da Forbes calculou que as refinarias danificadas representam agora 54% da capacidade total de refino do país.
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