Quase 60% do gado que saiu do Acre em 2026 não foi tributado
Os sete boletins técnicos da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac) produzidos em 2026 mostram que 59,5% dos bovinos que saíram formalmente do Acre foram para “mesmo proprietário”.
Dos 218.488 bovinos que saíram do Acre este ano, 129.979 foram para o “mesmo proprietário”, de acordo com os dados dos boletins técnicos da Faeac. O mês com maior percentual de transferência para o mesmo proprietário foi o mês de junho, quando 68,9% dos bovinos que saíram do Acre foram para o “mesmo proprietário”.
Isso implica dizer que saíram sem pagar impostos. A isenção da operação tem amparo legal. Mas existe uma indefinição que abre margem para a ilegalidade e para a sonegação.
“Ninguém é proibido de tirar o gado, mas que tire de uma forma correta, recolhendo ICMS. Mas o que alguns fazem? Eles, muitas vezes, compram uma área de terra pequena aqui ou arrendam, abrem uma inscrição na Sefaz, compram gado de terceiros, e simulam que estão transferindo gado quando, na verdade, estão levando gado produzido aqui sem pagar um centavo de imposto”, afirmou uma fonte ligada ao setor empresarial. “É uma sonegação disfarçada”.
De acordo com o que foi apresentado nos sete boletins produzidos pela Faeac, saíram do Acre 218.488 bovinos vivos em 2026. Esses são dados de saídas formais e contabilizados oficialmente pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf).
A reportagem solicitou ao instituto a relação dos pecuaristas que fizeram as transferências de gado, tanto para o grupo “mesmo proprietário”, quanto para o grupo “proprietários diferentes”. A assessoria jurídica do órgão não repassou as informações, alegando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A reportagem, então, insistiu, por outras fontes, que fossem preservados os nomes, mas fossem informadas as regiões/municípios de onde esse gado saiu e quais tinham sido as propriedades. Mas não houve retorno.
Ao longo do ano, o ac24agro tem insistido e provocado os órgãos e autoridades públicas que lidam com o gerenciamento desse problema. Mas, normalmente, o silêncio tem sido a resposta mais comum.
O que os dados da Faeac mostram é que aproximadamente 60% do gado que sai do Acre não paga imposto. Parte desse montante é transferência legítima.
Em julho deste ano, o Ministério Público de Rondônia denunciou 16 pessoas que faziam parte de um esquema milionário de sonegação de impostos com comercialização de gado de forma criminosa. A sonegação fiscal alcançou a cifra de R$ 7 milhões, mas a movimentação financeira do grupo criminoso chegou a R$ 44 milhões.
O grupo vai responder por crime contra a ordem tributária, fraude processual e organização criminosa.
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