Com bisneto de Mussolini na lateral, Lazio ameaça Inter no topo do Italiano
Milan, Juventus e Roma têm tradição, o Napoli é quem vem colhendo os melhores resultados nos últimos anos, e o Como está fazendo um barulho danado na Europa. Porém, a equipe que mais ameaça a Inter de Milão neste começo de temporada é outra.
Com oito rodadas das 38 rodadas previstas já disputadas, a Lazio divide a liderança do Campeonato Italiano com os nerazzurri, ganhadores de duas das últimas três edições do Calcio.
As duas equipes ainda estão invictas na competição e têm exatamente a mesma campanha: sete vitórias e um empate. Com 22 pontos, já abriram quatro de vantagem para a terceira colocada, a Roma.
No último fim de semana, ambas venceram e, curiosamente, pelo mesmo placar: 2 a 1. Enquanto o time de Milão desbancou a Fiorentina, a Lazio derrotou o Parma.
Graças aos critérios de desempate, a Inter aparece no topo da tabela. Mas, na prática, isso não vale nada. Afinal, o regulamento do futebol italiano prevê a disputa de um jogo extra valendo título no caso do líder e vice-líder encerrarem a temporada com a mesma pontuação.
Campeã italiana pela última vez na temporada 1999/2000, quando contava com estrelas do porte de Juan Sebastián Verón, Diego Simeone e Pavel Nedved, a Lazio de hoje é dirigida por Gennaro Gattuso, volante campeão mundial com a Azzurra em 2006.
O ponto forte do time até o momento tem sido o sistema defensivo, que sofreu apenas cinco gols e é o menos vazado do Italiano. O principal destaque individual do setor é o lateral esquerdo português Nuno Tavares, que já distribuiu três assistências.
Outro jogador que tem se destacado bastante é o meia Davide Frattesi. Emprestado justamente pela Inter na última janela de transferências, o camisa 16 é o artilheiro do time, com três gols.
O elenco da Lazio conta também com um brasileiro, o zagueiro Filipe Bordon, filho de Bordon, defensor do São Paulo na década de 1990 e que também chegou a defender a seleção. O jovem de 21 anos, no entanto, só ficou no banco e ainda não estreou na temporada.
Mas nenhum jogador da Lazio desperta mais atenção neste começo de temporada do que seu lateral direito titular.
Não que Romano Floriani Mussolini, cria das categorias de base do próprio clube e recém-promovido a dono do lado direito da defesa, seja necessariamente um primor do ponto de vista técnico. Porém, seu sobrenome não tem como passar despercebido.
Sim, Romano é bisneto de Benito Mussolini, líder fascista que governou a Itália entre 1922 e 1945.
Embora nutrisse também grande simpatia pelo Bologna, o ditador tem uma íntima conexão com a Lazio e tinha hábito de frequentar os jogos do time de Roma enquanto estava no poder.
Cantos racistas contra torcedores negros, críticas à diretoria por contratar jogadores de origem judia, proibição de presença feminina nos degraus de arquibancada mais próximas ao gramado e idolatria por um jogador que comemorou uma vitória fazendo um gesto eternizado justamente por Mussolini são alguns dos pontos que fazem o clube italiano carregar a fama de ser o "mais fascista do mundo".
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