Pecuaristas dos EUA criticam plano de Trump de importação de carne
A decisão do presidente Donald Trump de ampliar temporariamente a importação de carne bovina para tentar reduzir o preço da carne moída provocou uma reação imediata entre pecuaristas e entidades do setor nos Estados Unidos.
Quatro das principais organizações ligadas à pecuária americana pediram ao governo que reveja a medida, sob o argumento de que a entrada de até 300 mil toneladas de carne em 90 dias pode derrubar a remuneração dos produtores e atrapalhar a reconstrução do rebanho americano.
A preocupação é especialmente forte porque a pecuária dos Estados Unidos começa, agora, a dar os primeiros sinais de recuperação depois de anos de redução do número de animais.
Para as entidades, aumentar a oferta de carne importada justamente neste momento pode aliviar o preço para o consumidor no curto prazo, mas retirar do produtor o incentivo econômico para ampliar o rebanho no médio e longo prazo.
A AFBF ( American Farm Bureau Federation) foi uma das entidades que criticaram a decisão.
A organização afirmou que medidas de curto prazo podem produzir efeitos negativos de longo prazo para produtores e consumidores.
A National Cattlemen’s Beef Association também se posicionou contra a estratégia.
Leia Mais Produtores de gado dos EUA criticam flexibilização na importação de carne Brasil pode exportar 120 mil toneladas de carne bovina extra cota dos EUA Estados Unidos devem flexibilizar tarifas para importação de carne bovina A reação ocorre depois de Trump assinar uma proclamação que autoriza, durante 90 dias, a entrada adicional de até 300 mil toneladas de carne bovina destinada à produção de carne moída , sem a tarifa adicional normalmente cobrada sobre volumes que ultrapassam as cotas existentes.
O presidente afirma que a medida ajudará a reduzir os preços ao consumidor e que existe o compromisso de que a carne importada seja comercializada 25% abaixo dos preços atuais .
Brasil pode ocupar parte desse espaço Enquanto os pecuaristas americanos pressionam contra a medida, o setor exportador brasileiro enxerga uma oportunidade.
A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes ) avalia que a abertura temporária do mercado americano pode ampliar as vendas brasileiras aos Estados Unidos.
A entidade, porém, mantém cautela porque o benefício não necessariamente se transforma em ganho de margem para os frigoríficos.
Isso ocorre porque a regra americana prevê que a carne importada seja vendida com desconto de 25% em relação ao preço de mercado .
Na avaliação da Abiec, a exigência limita o ganho econômico dos exportadores, embora a demanda americana aquecida continue tornando o mercado atraente.
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