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Criminosos roubam US$ 90 milhões em criptomoedas com dispositivos adulterados

Folha de S.Paulo ·
Criminosos roubam US$ 90 milhões em criptomoedas com dispositivos adulterados

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Criminosos roubaram cerca de US$ 90 milhões (R$ 456,6 milhões) em ativos digitais de carteiras de criptomoedas na semana passada ao esconder componentes que capturam senhas em pequenos dispositivos semelhantes a pen drives. Esses aparelhos são projetados para oferecer uma das formas mais seguras de armazenar as credenciais de acesso aos tokens.

Os ativos foram retirados das carteiras de clientes da Ledger, empresa francesa que classificou o caso como "um dos ataques mais sofisticados" já registrados no setor de criptomoedas .

A Ledger vende pequenos dispositivos semelhantes a pen drives nos quais investidores podem armazenar com segurança a senha de acesso aos seus ativos digitais, sem conexão com a internet. O objetivo é protegê-los contra invasões e roubos de senhas e criptomoedas .

Na quinta-feira (16), a empresa afirmou que criminosos organizados passaram vários meses comprando dispositivos legítimos da Ledger, abrindo-os e instalando componentes ocultos personalizados, projetados para capturar a frase de recuperação durante a configuração. Depois, os aparelhos eram devolvidos à cadeia de distribuição por meio de revendedores no Sudeste Asiático.

"Eles construíram sua própria infraestrutura logística e tecnológica, com servidores para coletar senhas e estruturas para retirar e lavar os ativos roubados. Foram pacientes, gastaram milhões e atacaram em uma única operação coordenada, esvaziando carteiras", acrescentou a empresa.

O episódio evidencia os métodos cada vez mais elaborados usados por organizações criminosas para roubar ativos digitais e acendeu um alerta no setor sobre como se proteger de ataques semelhantes.

Todos os dispositivos afetados foram vendidos pela CryptoBilis, uma revendedora sediada na Malásia.

"Suspenderemos todas as vendas e os envios de dispositivos Ledger enquanto a empresa investiga o caso, e estamos cooperando com a investigação", afirmou a CryptoBilis.

A Ledger disse ter intensificado a fiscalização de sua rede de distribuição. A empresa também informou aos parceiros que seus dispositivos "nunca podem ser revendidos de nenhuma forma, mesmo que pareçam novos e lacrados".

A Trezor, concorrente que também vende dispositivos físicos para armazenar criptomoedas , adotou uma medida semelhante após o ataque. Como precaução, a empresa reduziu o número de revendedores com os quais trabalha para poder "avaliar e verificar cada parceiro".

"Uma carteira física só é tão segura quanto o caminho que percorre até chegar ao seu proprietário", afirmou Danny Sanders, diretor comercial da Trezor. Segundo ele, a companhia está ampliando a fiscalização sobre como seus dispositivos são "obtidos, armazenados e manuseados".

Várias plataformas de autocustódia —nas quais os próprios usuários mantêm o controle de suas criptomoedas — sofreram ataques nos últimos meses.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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