Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam alta rejeição e escândalos em largada sob tensão
Disputando pela sétima vez a Presidência em dez eleições realizadas desde a redemocratização, Lula nunca teve vida fácil nas urnas.
Depois de ser derrotado em suas primeiras campanhas (1989, 1994 e 1998), ele conquistou três mandatos presidenciais (2002, 2006 e 2022), um recorde nacional, em páreos nos quais aparecia como favorito e sonhava em liquidar a fatura no primeiro turno, mas foi obrigado a disputar o segundo.
Na eleição passada, a esperança de vitória se transformou em apreensão depois de Jair Bolsonaro levar a votação para uma rodada final, vencida pelo petista por uma diferença de apenas 1,8 ponto porcentual, ou 2,1 milhões de votos.
Neste ano, a tendência é de uma competição também acirrada.
Com a máquina pública nas mãos, Lula aparece numericamente à frente nas pesquisas, mas em situação de empate técnico nas simulações de segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O presidente não ostenta o amplo favoritismo de tempos passados e terá de superar obstáculos consideráveis a fim de renovar o mandato.
Entre eles, a imagem desgastada, que também dificulta a vida de seu principal rival.
Iniciada oficialmente no domingo 16, a sucessão presidencial deve ser mais uma vez uma batalha de rejeições, na qual o eleitor escolherá, como gostam de ressaltar políticos e especialistas, o candidato que eles consideram o “mal menor” para o país.
Hoje, Lula e Flávio Bolsonaro são rechaçados por metade do eleitorado.
Em seus atos iniciais de campanha, eles pouco fizeram para mudar esse quadro, porque falaram mais para as próprias bolhas e preferiram olhar para o retrovisor, deixando de lado o que realmente importa: o futuro do país.
O presidente foi a estrela de um comício no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), palco das greves históricas que liderou em 1979.
Como de costume, ele exaltou a própria biografia, cujo sucesso creditou ao “dedo de Deus”, citou programas de governo que considera bem-sucedidos e se apresentou como o quadro talhado para evitar a volta da direita bolsonarista ao poder.
“Que futuro você quer para o povo brasileiro se ( o governante ) ri de um velhinho que está morrendo asfixiado por falta de ar”, declarou, referindo-se ao descaso de Jair Bolsonaro com a vida alheia durante a pandemia de covid-19.
EM FAMÍLIA - Flávio: a estratégia do senador oposicionista continua sendo pegar carona na popularidade do pai Vittor Sales/.
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