Brasil troca EUA por China, Vietnã e Indonésia e repõe perdas do tarifaço, diz ministro
O Brasil conseguiu recuperar perdas nas exportações provocadas pelo tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , com outros parceiros comerciais, segundo Márcio Elias Rosa , ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em evento promovido nesta segunda-feira (14) pela Esfera Brasil , em São Paulo, Rosa também afirmou que a defesa comercial tem caminhado na direção da formação de blocos, como União Europeia-Mercosul.
“É lamentável que tenhamos perdido [com os EUA]… Mas aquilo que perdemos com os Estados Unidos conseguimos repor com outros parceiros comerciais”, disse o ministro.
“Não [houve reposição] apenas com a China, mas com Vietnã e Indonésia também”, prosseguiu, ao citar que as exportações brasileiras para 50 países cresceram 10,5% durante o período do tarifaço.
“O mundo está se reorganizando. Acho que a China e os EUA ou voltam a praticar o multilateralismo ou vão ficar para trás”, ressaltou.
O ministro também afirmou que, embora tenha uma das maiores reservas de terras raras, minerais críticos e estratégicos do mundo, o Brasil não conseguirá dominar sozinho toda a cadeia produtiva — da mineração à transformação do insumo em produto final.
Para Rosa, será necessário estabelecer parcerias com outras economias, como China e Estados Unidos, para aproveitar a posição brasileira na oferta desses recursos e, ao mesmo tempo, ampliar a geração de valor dentro do país.
“O Brasil não vai ser capaz de realizar da mineração à transformação no insumo final, no produto final. Mas nós não podemos tratá-lo apenas como commoditie ”, disse.
“O país precisa ter parceiros. E a opção do governo do presidente Lula é exatamente essa. O acordo que nós podemos fazer sobre minerais críticos com a China é o mesmo que nós podemos fazer com os Estados Unidos”, acrescentou.
A discussão sobre minerais críticos está diretamente ligada à corrida global por novas tecnologias, especialmente inteligência artificial (IA) , semicondutores e infraestrutura de dados.
Luiz Tonisi , presidente da Qualcomm para a América Latina, que também participou do evento, afirmou que a disputa tecnológica entre países não envolve apenas a capacidade de desenvolver produtos, mas também a busca por produtividade e competitividade.
“Se a gente está falando de briga geopolítica hoje, não é só por alimento, mas é para quem vai definir e quem vai dominar o lado tecnológico”, ponderou.
Para o executivo, o Brasil precisa avançar em três frentes principais: formação de profissionais qualificados, desenvolvimento do mercado de capitais e investimentos em infraestrutura.
“Você precisa ter gente, e gente qualificada para você criar as tecnologias corretas. Depois, você tem que pensar no mercado de capital, porque investimento em tecnologia demanda muito recurso”, afirmou.
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