Novo corregedor do CNJ, Benedito herda caso Buzzi e venda de sentenças
O ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), tomou posse hoje como novo corregedor nacional de Justiça para o biênio 2026-2028. Ele herda processos administrativos disciplinar envolvendo magistrados, como o ex-ministro Marco Buzzi, suspeito de assédio e importunação sexual, e juízes envolvidos em casos de venda de sentenças.
Cerimônia de posse ocorreu na sede do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em Brasília. Benedito disse que o cargo é uma conquista que ele acolhe com gratidão e humildade. "Exercerei esta função com equilíbrio, prudência, coragem e dedicação integral ao interesse público", afirmou.
Venho com a disposição de ouvir antes de concluir e de observar antes de avaliar. O rigor técnico que orientará o trabalho estará sempre acompanhado de serenidade, escuta e abertura ao diálogo. Benedito Gonçalves, novo corregedor-geral de Justiça
Funções de corregedor. Entre as atribuições, o corregedor nacional de Justiça é responsável por orientar, coordenar e fiscalizar as atividades dos tribunais, juízes e cartórios de todo o país.
Venda de sentenças e caso Buzzi. O novo corregedor terá como desafios casos de grande repercussão que ainda estão sob investigação. Conhecida como venda de sentenças, o processo está sendo apurado e envolve uma rede estruturada de negociação de decisões judiciais que alcançou pelo menos 14 tribunais estaduais e instâncias superiores. Em relação ao ex-ministro Marco Buzzi, o conselho analisará denúncias de assédio e importunação sexual. No início deste mês, em sessão administrativa, o STJ decidiu aplicar a pena máxima de perda do cargo do magistrado.
O presidente do CNJ, Edson Fachin, prestou homenagens. "A democracia brasileira já exigiu do ministro Benedito Gonçalves firmeza e serenidade. A magistratura brasileira orgulha-se agora de contar com a vossa liderança. O novo corregedor nacional de Justiça conhece a magistratura por dentro: da primeira instância aos tribunais superiores."
Novo corregedor tem mais de 38 anos na magistratura. Ele está no STJ desde 2008 e teve a indicação aprovada pelo Senado Federal em junho deste ano. Benedito substitui o ministro Mauro Campbell Marques, que se tornou vice-presidente do STJ.
Combate ao racismo na magistratura. À frente da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, ele liderou a implementação do Exame Nacional da Magistratura, voltado à padronização e à isonomia no ingresso na carreira judicial. Também presidiu a comissão de juristas que propôs avanços na legislação de combate ao racismo no país.
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