A estreita relação entre Tabata Amaral e o neoliberalismo
Jornalões informam que Armínio Fraga doou 100 mil reais à campanha de reeleição de Tabata Amaral (PSB-SP).
O oráculo da alta finança repete o gesto do pleito anterior, quando foi acompanhado por outros expoentes de “o mercado” – figuras como Marcos Lederman e Florian Bartunek também turbinaram a campanha dela.
Nada de errado, em tese, mas é curiosa a insistência da parlamentar liberal, próxima de rentistas – ou “investidores”, como queiram – em se autoclassificar como de centro-esquerda.
Tabata Amaral, que por sanidade votará em Lula e não em Flávio Bolsonaro, contraria as mais óbvias premissas da centro-esquerda brasileira.
Não seria exagero enquadrá-la entre os neoliberais.
Recorde-se de 2019, quando Tabata, então filiada ao PDT, desobedeceu à orientação formal de seu partido e votou a favor da Reforma da Previdência – para muita gente, uma traição à classe trabalhadora.
Fosse pouco, em 2021 ela votou favoravelmente à privatização dos Correios.
Ao se autoproclamar independente, poderia fazê-lo de modo mais preciso: independente ao ponto de agir como uma autêntica parlamentar neoliberal.
Tabata ainda não aplaudiu Donald Trump nem vestiu o boné do Maga, mas apresentou um projeto de lei para tipificar e combater o antissemitismo, iniciativa demagógica, inútil e inoportuna, no exato momento em que Israel comete atrocidades em Gaza e adjacências.
Porém, de todo esse passivo ideológico, o mais eloquente é sua proximidade com o tubarão do rentismo Jorge Paulo Lemann, cuja estratégia clássica consiste em comprar empresas e dominar mercados, jamais criar novos produtos.
O figurão, um dos donos das Lojas Americanas, parece ter feito vista grossa ao que ocorrida na lojona: uma fraude contábil de mais de 25 bilhões de reais.
A diretoria da empresa utilizava manobras ilegais para esconder dívidas com bancos e inflar artificialmente os lucros.
Isso permitia o pagamento de bônus milionários aos executivos e dividendos inflados aos acionistas, enquanto a saúde financeira real da companhia esboroava-se.
A versão filantrópica de Lemann, como se sabe, cola-se no campo educacional e tem como prócer a deputada Tabata Amaral.
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