De ameaça de guerra a sinal de paz: aceno de Trump para o Irã derruba petróleo e puxa alta do Ibovespa
Uma possível saída diplomática para o conflito entre Estados Unidos e Irã mudou o rumo dos mercados nesta terça-feira (22).
À medida que a perspectiva de um acordo ganhou força, o petróleo aprofundou a queda e voltou a ficar abaixo dos US$ 100 por barril, enquanto a bolsa brasileira recuperou terreno e os juros futuros perderam força.
A melhora veio mesmo diante da cautela mantida pelo Copom em sua ata, que voltou a chamar atenção para os riscos inflacionários e para a necessidade de manter a política monetária restritiva.
O Ibovespa subiu 0,4%, aos 187.423 pontos, ampliando os ganhos na semana para 1,2% e no mês para 5,6%.
No ano, o índice avança 16,3%.
A queda do petróleo ganhou força ao longo da tarde, depois que Donald Trump afirmou que Estados Unidos e Irã estavam avançando nas negociações para um possível acordo.
A perspectiva de uma saída diplomática para o conflito reduziu a pressão sobre os preços da commodity, que também vinham reagindo às perspectivas de melhora no fluxo de oferta.
O Brent (referência global) para novembro terminou o dia em queda de 1%, a US$ 99,25 por barril, enquanto o WTI (referência americana) para outubro recuou 1,2%, a US$ 94,59.
Poucas horas antes, em discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump havia adotado um tom muito mais duro ao falar do Irã.
O presidente americano disse que poderia “aniquilar” a República Islâmica caso não houvesse um acordo de paz e afirmou que esperava uma solução depois das eleições legislativas americanas de novembro.
Mais tarde, Trump disse que as conversas com Teerã continuavam e que acreditava na possibilidade de um acordo.
Ao mesmo tempo, o Irã também sinalizou que poderia reabrir o Estreito de Ormuz em poucos dias caso os EUA reduzissem a pressão militar e retirassem o bloqueio aos portos iranianos.
No mesmo palco da ONU, Lula defendeu a diplomacia para os conflitos internacionais e chamou atenção para os efeitos econômicos da guerra sobre combustíveis, fertilizantes e alimentos.
O presidente do Brasil afirmou que a continuidade dos conflitos aumenta os riscos para a economia global e voltou a defender negociações pacíficas.
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