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Com 336 atendidos por vício em jogo, rede pública vê só parte do problema

Campo Grande News ·
Com 336 atendidos por vício em jogo, rede pública vê só parte do problema

Os 336 atendimentos relacionados a vício em jogo registrados na rede pública de saúde de Campo Grande entre 2024 e setembro de 2026 não correspondem à realidade, segundo a psiquiatra Melissa Rubinstein da Silva Alencar, que atua no CAPS III AD (Centro de Atenção Psicossocial III Álcool e Drogas), no bairro Guanandi.

Residente em psiquiatria, ela recebeu o Campo Grande News na unidade e falou que os números são subestimados e que não dimensionam com exatidão a quantidade de pessoas que sofrem com esse tipo de transtorno ou que precisam de ajuda para se livrar dele.

Os dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) mostram que foram registrados 100 atendimentos em 2024, 156 em 2025 e 85 entre janeiro e setembro deste ano.

Em 2023, não foram encontrados registros desses diagnósticos, conforme a pasta.

Esses números incidem sobre os chamados transtornos dos hábitos e dos impulsos, categoria que inclui doenças como o jogo patológico (ludopatia), além de cleptomania (furtar objetos de pouco valor), tricotilomania (arrancar os próprios cabelos) e outros.

Para ela, é difícil prever se a rede particular está atendendo essas pessoas, se simplesmente não reconheceram ainda a doença, ou mesmo se estão usando a tecnologia de rede privada virtual para acessar sites estrangeiros de jogos.

"Assim, por opinião, por intuição, eu creio que esse número está subestimado, sim", afirma.

Ela avalia que muitas vezes os jogadores adictos até procuram ajuda no privado ou no público e chegam com queixa de ansiedade ou tristeza, "mas se você não realmente coletar a anamnese de maneira adequada, você não vai entender que a raiz do problema é porque ela tá toda endividada, porque já perdeu todos os bens, porque a família já rompeu laços, devido a todas as perdas que tiveram devido ao jogo patológico", destaca.

Acesso - A especialista diz ainda que a facilidade de acesso às plataformas de apostas pelo celular ampliou a exposição da população ao risco de desenvolver o transtorno, que já existia antes da popularização dos jogos digitais.

Inclusive através de ferramentas que burlam as proibições legais.

"Porque a gente tá falando de pessoas que perderam a família por conta do jogo, então, é triste dizer isso, mas infelizmente não vai ser uma proibição que vai fazer com que eles se afastem disso.

Tem outros meios ilegais e eu não acredito que a maioria deles realmente esteja sendo privada dessa possibilidade", avalia.

A médica também critica o funcionamento das plataformas de apostas no Brasil, autorizado em 2024 e proibido em setembro deste ano.

"Era algo que já deveria ter sido definido há muito tempo", afirmou.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.

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