A perversa mãe narcisista
Existe uma dor que não aparece nos exames, não deixa cicatrizes visíveis e, ainda assim, pode acompanhar uma pessoa durante toda a vida.
É a dor de quem cresceu esperando o amor da própria mãe e aprendeu que, para recebê-lo, precisava agradar, obedecer e renunciar a partes de si.
De quem procurou acolhimento e encontrou críticas, precisava de proteção e recebeu culpa, passou a infância tentando descobrir o que havia de errado consigo para merecer tão pouco afeto justamente de quem deveria cuidar.
Para os filhos de mães com comportamentos narcisistas, uma das maiores dificuldades é explicar o que acontece dentro de casa.
Aos olhos dos outros, essa mãe pode parecer amorosa, dedicada e irrepreensível.
Na intimidade, porém, pode humilhar, controlar, manipular e desqualificar os próprios filhos.
Quando tentam contar o que vivem, eles correm o risco de serem chamados de ingratos, exagerados ou mentirosos.
Assim, aprendem a sofrer em silêncio, presos entre a dor que sentem e a necessidade de proteger a imagem materna.
É importante lembrar que nem toda mãe difícil possui transtorno de personalidade narcisista.
O diagnóstico exige avaliação profissional.
Ainda assim, comportamentos persistentes de manipulação, controle e falta de empatia podem causar feridas profundas, independentemente do nome que recebam.
A mãe com traços narcisistas pode enxergar os filhos não como indivíduos com sentimentos e desejos próprios, mas como extensões de si mesma.
Espera que correspondam às suas vontades, confirmem sua importância e preservem a imagem que construiu.
Quando obedecem, podem receber aprovação; quando discordam ou buscam independência, são tratados como egoístas, ingratos ou decepcionantes.
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