A criatura marinha de 5 milímetros que consegue rejuvenescer sozinha e parece driblar o envelhecimento
Pequeno hidrozoário consegue inverter seu ciclo de vida e voltar à fase de pólipo por meio de uma rara reorganização celular
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Com apenas alguns milímetros, a Turritopsis dohrnii possui uma habilidade quase inacreditável: depois de chegar à fase adulta, ela pode reverter seu próprio ciclo de vida e produzir novamente pólipos juvenis. A característica rendeu o apelido de “água-viva imortal”, embora isso não signifique que o pequeno animal seja impossível de matar.
O ciclo normal desses hidrozoários passa por uma fase fixa, chamada pólipo, que posteriormente produz pequenas medusas capazes de nadar livremente. Na maioria dos animais, chegar à maturidade representa uma trajetória sem retorno. Nessa espécie, porém, uma medusa adulta pode inverter parte desse caminho e formar novamente uma colônia de pólipos.
Durante a reversão, a medusa perde sua forma característica, passa por um estágio intermediário semelhante a um cisto e reorganiza seus tecidos. Depois aparecem estruturas que dão origem aos novos pólipos. Por isso, não é correto dizer simplesmente que ela “vira um bebê” instantaneamente: existe uma profunda reorganização biológica entre as duas fases.
Experimentos mostraram que diferentes situações adversas podem desencadear a reversão do ciclo. Isso inclui falta de alimento, alterações ambientais e danos físicos. A resposta permite que a medusa abandone sua configuração adulta e retorne a uma forma de desenvolvimento capaz de iniciar novamente o ciclo.
O vídeo do canal Real Science é dedicado especificamente à chamada água-viva imortal e mostra como seu ciclo de vida pode seguir no sentido contrário, além de explicar por que essa capacidade não corresponde à imortalidade absoluta. O conteúdo ajuda a visualizar uma transformação difícil de imaginar apenas pela descrição.
A transdiferenciação costuma aparecer como uma das explicações centrais para o fenômeno. Nesse processo, células especializadas podem mudar de identidade e contribuir para a formação de outros tipos celulares. Entretanto, afirmar que “todas as células adultas voltam a ser células de bebê” simplifica excessivamente uma transformação molecular muito mais complexa.
Uma análise genômica publicada na PNAS encontrou diferenças relacionadas a mecanismos como reparo de DNA, manutenção dos telômeros, sinalização celular, resposta ao estresse oxidativo e renovação de células-tronco. Os pesquisadores não identificaram um único “gene da imortalidade”, mas uma combinação de processos associados à extraordinária capacidade de rejuvenescimento.
Em sentido biológico, a espécie é chamada de potencialmente imortal porque consegue rejuvenescer repetidamente em vez de seguir obrigatoriamente para uma morte causada pelo envelhecimento. Estudos laboratoriais demonstraram essa capacidade mesmo depois da maturidade sexual, algo excepcional entre animais.
Isso não torna cada indivíduo indestrutível. Peixes e outros animais podem comê-lo, doenças podem matá-lo e condições ambientais podem impedir a reversão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.