Preso diz ter sido ‘sequestrado’ por delegada para não implicar governador do Maranhão
Em um dos depoimentos prestados à Polícia Federal (PF), Gilbson Cesar Soares Cutrim Junior , condenado a treze anos de prisão no regime inicial fechado pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira , afirmou ter sido pressionado por uma delegada da Polícia Civil do Maranhão para não implicar o governador do estado, Carlos Brandão (MDB) , e nenhum de seus familiares em possíveis declarações ou depoimentos.
“Neste ponto, vale ressaltar o trecho relatado na sede da Polícia Federal por Gilbson Cutrim Junior, em que afirmou ter sido ‘sequestrado’, retirado do presídio sem ordem formal ou prévia intimação e conduzido, de forma irregular, à delegacia , onde teria sido recebido pela delegada ‘Carolina’ (… ).
Segundo sua narrativa, a autoridade policial justificou a ausência de formalidades sob o argumento de evitar repercussão midiática e, na sequência, passou a orientá-lo no sentido de omitir qualquer menção ao governador e à família Brandão , sob a promessa de que isso lhe traria benefícios”, diz trecho do documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) .
Cutrim Junior, então, teria dito à delegada ter um pen drive que seria a “ garantia de vida ” e que estava sendo ameaçado.
“A delegada teria sugerido que ele refletisse antes de formalizar qualquer entrega ou declaração”, cita o documento da PF.
Cutrim Junior também afirmou que não houve depoimento formal na delegacia para a qual fora conduzido sem formalidade, “embora tenha sido elaborado um registro preliminar que ele se recusou a assinar integralmente, por não refletir adequadamente suas declarações, especialmente no tocante ao conteúdo do referido dispositivo e às implicações envolvendo a família Brandão”.
VEJA procurou o governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Comunicação, para questionar se há ou haverá investigação interna para apurar as declarações de Cutrim Junior, mas não obteve retorno até o momento.
Em caso de retorno, a reportagem será atualizada.
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão contesta as declarações.
“Não houve retirada irregular do custodiado da unidade prisional.
O deslocamento para a oitiva ocorreu mediante comunicação prévia à administração penitenciária e adoção das providências administrativas cabíveis, com posterior retorno ao estabelecimento prisional”, disse em trecho da nota (leia a íntegra abaixo).
Reuniões no palácio Durante o seu depoimento à PF, ao qual VEJA teve acesso, Cutrim Junior também afirmou que realizava reuniões no Palácio dos Leões , sede do governo do Maranhão, com o governador e Daniel Brandão , sobrinho do político e presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) .
O homicídio pelo qual foi sentenciado, segundo apurações em andamento, tem relação com pagamentos de propina — leia reportagem aqui .
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