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A lula que ganhou o nome de vampiro do inferno quase não caça e sobrevive recolhendo uma neve de restos orgânicos com dois filamentos pegajosos

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A lula que ganhou o nome de vampiro do inferno quase não caça e sobrevive recolhendo uma neve de restos orgânicos com dois filamentos pegajosos

Vampyroteuthis infernalis usa dois filamentos retráteis para recolher detritos em águas profundas onde há pouco oxigênio e poucos predadores

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Apesar do nome Vampyroteuthis infernalis , literalmente “lula-vampira-do-inferno”, esse pequeno cefalópode do oceano profundo está longe de ser um caçador feroz. A lula-vampira vive principalmente em águas escuras e pobres em oxigênio e obtém grande parte de sua alimentação recolhendo neve marinha, uma mistura de fezes, plâncton morto, muco e outros fragmentos orgânicos que afundam lentamente desde as camadas superiores.

Vampyroteuthis infernalis ocorre nas zonas mesopelágica e batipelágica, com registros aproximadamente entre 600 e 3.300 metros. Na costa da Califórnia, é especialmente associada ao núcleo da zona de mínimo de oxigênio, onde muitos animais mais ativos enfrentariam dificuldades fisiológicas.

A espécie apresenta uma taxa metabólica extremamente baixa para um cefalópode e hemocianina altamente eficiente na captação de oxigênio. O corpo também possui flutuabilidade próxima da neutralidade, reduzindo a energia necessária para permanecer suspenso na água e favorecendo uma rotina muito mais econômica.

Além dos oito braços, a lula-vampira possui dois filamentos muito finos e retráteis. Eles podem alcançar várias vezes o comprimento do corpo e são cobertos por estruturas capazes de reter partículas orgânicas que passam pela água.

Quando o filamento acumula alimento, o animal o recolhe e passa a estrutura entre os braços. Ventosas secretam muco que reúne as partículas, enquanto pequenos cirros ajudam a transportar essa massa até a boca. A refeição é formada principalmente pelo material que outros animais descartaram.

Este vídeo do MBARI mostra diretamente como o animal utiliza seus filamentos para recolher matéria orgânica.

A neve marinha nasce nas regiões iluminadas do oceano. Restos de organismos, fezes, muco e outras partículas começam a afundar e podem se agregar durante a descida. Parte desse material é consumida antes de alcançar o fundo, transferindo carbono e nutrientes para animais das águas profundas.

Para a lula-vampira , esse fluxo representa uma fonte de alimento disponível sem perseguições energéticas. A estratégia é incomum entre cefalópodes, grupo composto predominantemente por predadores que capturam animais vivos com braços ou tentáculos.

Não. Classificar Vampyroteuthis infernalis como puramente vegetariana ou incapaz de capturar organismos seria incorreto. Estudos do conteúdo digestivo encontraram pequenos animais e fragmentos de organismos, mostrando uma dieta oportunista além do detrito predominante.

O estudo clássico publicado pela Royal Society combinou vídeos de veículos submarinos, animais mantidos em laboratório e análises do sistema alimentar. O trabalho demonstrou que a coleta passiva de detritos representa uma estratégia alimentar central e incomum entre cefalópodes.

Experimentos fisiológicos encontraram taxas metabólicas médias próximas de 0,07 micromol de oxigênio por grama por hora, entre as menores já medidas em cefalópodes.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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