Colapso glacial: o fenômeno que causou a enchente repentina no Nepal e no Tibete
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
As inundações que atingiram o Nepal e o Tibete na manhã de quarta-feira (26) deixaram centenas de mortos e desaparecidos. Imagens registradas durante o desastre mostram as pessoas correndo segundos antes de uma enorme massa de lama tomar conta de comunidades e destruir pontes, edifícios e outras estruturas.
Inicialmente, os cientistas acreditavam que a causa do evento havia sido um terremoto. Mas depois descobriram que os tremores estavam relacionados a um "colapso glacial".
O diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, Basanta Raj Adhikari, disse à BBC News que há risco de uma "segunda e terceira ondas" de inundações nesta quinta-feira (27) ou na sexta-feira (28).
"Nós ainda não sabemos", afirmou ele, acrescentando que segue discutindo a situação com colegas na China . Segundo Adhikari, não há previsão de chuvas intensas, mas novos deslizamentos de terra podem acontecer. "Estamos observando, mas não sabíamos que isso aconteceria em um determinado dia."
Adhikari afirmou ainda que os pesquisadores vêm monitorando os riscos associados às montanhas do Himalaia. "A mudança climática realmente está acontecendo."
O país do Himalaia prevê "perdas em uma escala enorme", com centenas de mortos e desaparecidos.
Inicialmente, porta-vozes do governo do Nepal e de agências de geologia disseram que o gatilho para a enchente havia sido um terremoto. Sensores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) chegaram a registrar um tremor de magnitude 4,4 na mesma região, momentos antes da enxurrada.
Algumas horas depois, porém, o próprio serviço americano se corrigiu: o tremor não teria sido a causa da enchente, mas, sim, uma consequência de um grande deslocamento de gelo e detritos.
Segundo o USGS, o evento sísmico provocado pelo colapso glacial foi equivalente à magnitude 5,2 e aconteceu perto da fronteira entre Nepal e China às 8h37 da manhã, no horário local —ou 22h52 do dia anterior, no horário de Brasília.
Em outras palavras, uma grande parte de uma geleira se desprendeu em uma região montanhosa e despencou pelo vale, incorporando gelo, pedras e sedimentos pelo caminho. Essa hipótese também é sustentada por observações feitas a partir de imagens de satélite.
Simon Cook, professor de energia, ambiente e segurança da Universidade de Dundee, na Escócia, especializado em glaciologia, contou à BBC News que um colega de sua equipe identificou, na quarta-feira, que uma parte inferior de uma geleira próxima à área atingida havia desaparecido.
A imagem indicava que havia ocorrido "algum tipo de avalanche de gelo ou colapso de geleira", segundo Cook.
Ele diz que algumas pessoas inicialmente acreditaram que o terremoto havia provocado uma avalanche, mas, segundo um sismólogo da equipe, o tremor teria sido causado pelo próprio colapso da geleira ao atingir o fundo do vale. "Isso mostra a magnitude do evento", afirma Cook.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.