Crise no STF está 'virando monstro a nos engolir', diz Horácio Lafer Piva
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Uma das vozes da preocupação do empresariado com a crise do STF (Supremo Tribunal Federal), Horácio Lafer Piva diz que o problema "está virando um monstro a nos engolir". Ele já comandou a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e hoje preside o conselho deliberativo da Ibá ( Indústria Brasileira de Árvores).
Piva foi um dos oradores do ato pró-democracia no Largo São Francisco em 2022 —última vez em que grandes representantes da classe empresarial expressaram insatisfação em bloco.
Ao comparar os dois momentos, ele avalia que, agora, a confusão reúne economia, política e instituições, em uma fase crítica, às vésperas de mais uma eleição polarizada.
Segundo Piva, é preciso demonstrar apoio da sociedade civil ao presidente do STF, Edson Fachin, para pacificar logo a corte. E, em 2027, já no início do mandato, o presidente do país terá de enfrentar uma agenda de problemas que abrange juros altos, inadimplência, desequilíbrio das contas, insegurança jurídica e corrupção.
Os empresários evitam mostrar indignação em público, mas agora assinaram vários manifestos para pedir um freio na bagunça do STF. Qual foi o gatilho? As pessoas trocaram a indiferença pela indignação. Mas uma indignação com ação e propósito. São cidadãos incomodados, que acreditam no potencial do Brasil, na transparência, e estão exasperados com a situação de anomia.
As pessoas estão percebendo que é consequência de muitos anos de pouco caso. No fundo, todo mundo deixava para lá, tentava defender seus interesses, mas está se percebendo que o assunto está virando um monstro a nos engolir.
Não queremos ficar citando nomes de ministros. Não estamos assinando pacto contra pessoas. Assinamos pela regra de ouro: ninguém está acima da lei.
O sr. discursou no ato pró-democracia em 2022. O novo manifesto que o sr assina também cita democracia. Qual é a diferença agora? Em 2022 estava claro que tínhamos risco democrático enorme e tangível. A conversa de risco de golpe e esfacelamento da ordem democrática estava presente. Mais do que a questão econômica. Acho que agora nós temos uma confusão mais sofisticada, se é que dá para usar esse nome, porque há problemas na economia, na política e nas instituições.
A convivência entre os ministros do STF deve estar insuportável. É fundamental que o ministro Fachin esteja fortalecido. Parte do que estamos fazendo é para dar suporte a ele, que deve estar vivendo uma enorme tensão porque a política engoliu o Supremo .
Esses crimes todos que têm acontecido não têm ideologia. O Brasil não pode continuar rendido. A sociedade organizada tem de se envolver. Na eleição passada vocês fizeram movimento em defesa da terceira via. Por que não teve neste ano? Fizemos não só em defesa da terceira via no primeiro turno , mas também teve muita gente apoiando Lula no segundo. Neste ano, as pessoas estão incomodadas com ambas as pontas.
A terceira via que se tentou fazer não deu certo. Começou com Eduardo Leite, passou por Ratinho, Zema, Caiado, mas são 2% ou 3%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.