Se o Ideb é uma fotografia da escola, é uma fotografia com filtro
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) possui vínculo orgânico com os interesses do capital e foi criado em 2007 como resultado da coalizão entre o governo e o Movimento Todos pela Educação (TPE), um conglomerado de institutos e fundações privadas.
Em consonância com uma agenda imperialista para a educação, via Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Unesco, etc., institutos e fundações privadas, a partir de uma legitimidade autoconferida, se apresentam como “especialistas da educação”, quando, na verdade, não são da área; são administradores, economistas, etc., são os “coaches do sucesso da educação”, os quais, feito pulgões, disputam de forma predatória o financiamento e o projeto formativo da educação pública.
O sucesso, elemento fundante da sociedade capitalista, representado pela capacidade de acumular capital e sustentado em mérito, desigualdade e concentração de renda, é recontextualizado no campo da educação; aumentar o Ideb é ter sucesso. O que importa não é se o estudante aprendeu, mas se o índice subiu. Como uma histeria coletiva de mercado, premiações, camisetas, gritos de guerra, faixas, foguetinhos, estrelinhas (representando que o índice tem que subir) vão se naturalizando na organização do trabalho pedagógico. Estudantes fazem memes e dancinhas nas redes sociais, fomentando a lógica da competição.
A partir das avaliações em larga escala, a educação pública se reduz a mero treinamento e, por trás de discursos fundamentados em metodologias ativas e inovação, institucionaliza-se a culpabilização docente. Se a educação pública vai mal, não é por falta de investimentos, mas porque o professor não está se “esforçando o suficiente”.
Para aumentar os índices, vale tudo, até o falseamento de dados. Aqueles que não aderem à lógica da competitividade e recompensa (que inclui até bônus de desempenho) sofrem punições, assédio e até afastamento de diretores escolares quando não atingem os índices esperados.
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