Uma cidade esculpida no deserto capturava chuvas em túneis, barragens e cisternas para sustentar uma população onde a água superficial quase desaparece
Canais, reservatórios e obras contra enchentes permitiram aos nabateus administrar um recurso escasso em pleno ambiente árido
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Entre o Mar Vermelho e o Mar Morto, no atual sul da Jordânia, os nabateus desenvolveram uma capital monumental cercada por montanhas de arenito e marcada por chuvas irregulares. A água em Petra dependia de uma combinação engenhosa de captação, armazenamento, transporte e controle de enchentes , permitindo que uma grande comunidade prosperasse em uma região onde cursos permanentes de água são escassos.
Petra foi ocupada muito antes dos nabateus, mas ganhou importância como capital de seu reino e grande centro das rotas comerciais da Antiguidade. Para sustentar moradores, viajantes, animais, jardins e edifícios públicos, era necessário garantir abastecimento mesmo durante períodos secos.
Os engenheiros aproveitaram diferentes fontes simultaneamente. Água de nascentes próximas era conduzida até a área urbana, enquanto a chuva que escorria pelas montanhas era capturada e armazenada. Assim, o abastecimento não dependia exclusivamente das precipitações que caíam diretamente sobre a cidade.
Os nabateus escavaram canais nas rochas, instalaram tubulações, construíram reservatórios e criaram numerosas cisternas capazes de guardar água das chuvas sazonais. Algumas estruturas subterrâneas ajudavam a reduzir perdas por evaporação, uma vantagem importante em um ambiente árido e quente.
O sistema também combinava reservatórios com água transportada continuamente de nascentes. Pesquisas arqueológicas mostram que os componentes funcionavam de maneira integrada, permitindo equilibrar períodos de maior disponibilidade com épocas mais secas.
O documentário da NOVA mostra como arqueólogos e especialistas investigaram o sofisticado sistema hidráulico de Petra.
A escassez de chuva não significa ausência de perigo provocado pela água. Tempestades concentradas podem produzir enxurradas violentas nos estreitos vales da região, conduzindo rapidamente grandes volumes de água pelas gargantas que atravessam Petra.
Próximo ao Siq, principal acesso à cidade antiga, os nabateus construíram uma barragem de desvio associada a um túnel conhecido como Muthlim. O objetivo era redirecionar parte das águas das enxurradas, reduzindo o risco para a entrada da cidade e para suas construções.
Não. A infraestrutura atendia necessidades domésticas e urbanas, mas evidências arqueológicas indicam utilização de água em fontes, jardins e outras estruturas. Isso demonstra que, durante períodos de prosperidade, a engenharia fornecia mais do que o mínimo necessário para sobrevivência.
A importância desse conjunto é reconhecida pela UNESCO , que destaca canais, túneis, barragens de desvio, cisternas e reservatórios entre os elementos responsáveis por tornar possível uma ocupação extensa naquele ambiente essencialmente árido.
Estudos do sistema mostram uma rede muito mais ampla do que algumas cisternas isoladas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.