A gestão política do medo nas eleições
Sugiro muito a quem me lê que escute o podcast “No Alvo”, da Juliana Dal Piva, autora do livro “O negócio do Jair”.
Ela apresenta, com detalhes, toda a rede criminosa tecida ao longo dos anos que culmina na ascensão dessa máfia à presidência da República.
É bem evidente que a escolha de Jair e, depois, de Flávio não é por acaso.
Assim como o pai, Flávio corre o risco de ir para a cadeia se perder a eleição, e é por isso que está concorrendo.
Conforme as informações do podcast, o crime organizado brasileiro está protegendo os Bolsonaros e estamos muito perto de eleger o representante da maior rede criminosa de nossa história.
E ele agora lidera as pesquisas de intenção de voto nas simulações de segundo turno, e isso espalhou na esquerda brasileira sentimentos de desesperança, incredulidade e MEDO.
E é do medo que quero falar.
Em 2018, o Brasil foi palco de uma das campanhas políticas mais violentas de sua história recente.
Após o período de aparente civilidade nos pleitos de 2002 a 2010, as jornadas de 2013 e o impeachment de Dilma Rousseff abriram outro cenário: as redes sociais passaram a funcionar como espaço de conflitos ideológicos e familiares, tendo o Facebook como campo de uma guerra marcada pela hybris — em grego, a fúria desmedida — de um Aécio Neves ressentido, berrando aos quatro ventos que não aceitava o resultado das urnas.
Já nessa época, o deputado federal Jair Bolsonaro subia na catapulta que o arremessaria do subsolo de militar insurgente a representante legítimo e ungido das Forças Armadas ressentidas que assediam a política brasileira desde a Guerra do Paraguai.
Para isso, recomendo a leitura de “A utopia autoritária”, de Carlos Fico (2025).
Chamado pelo cientista político Marcos Nobre de “partido digital”, o movimento bolsonarista engendrou, na eleição de 2018, uma máquina de guerra cibernética, um sistema integrado de ódio ao comunismo, que é a condensação de todos os ódios a mulheres, negros, dissidências de gênero, pobres, professores e intelectuais; um apelo nostálgico aos “bons tempos”, quando nada disso existia e os homens de bem podiam ofender, fazer piada e violentar livremente, sem censura; e uma tecnologia informacional capaz de administrar e direcionar esse ódio, que se incrementa em progressão geométrica a cada eleição.
Composta por um sistema integrado de plataformas digitais públicas e semiprivadas — sendo o WhatsApp a principal —, a “máquina do caos” (chamada assim por Max Fisher) trabalha incansavelmente para fazer a gestão das emoções e transformar as eleições em uma guerra sem fim, e a principal delas é o medo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.