Letícia Spiller vive 'Clarice Lispector' mais próxima de si em novo filme
"Rio de Clarice": A diretora Nicole Allgranti e a atriz Letícia Spiller durante a divulgação do filme. (Divulgação/Jorge Soufen )
Um táxi, uma chuva forte e uma passageira inesperada. É nesse cenário que nasce Anjo, personagem de Letícia Spiller em "Mal-estar de um Anjo", um dos cinco contos de Clarice Lispector adaptados em "Rio de Clarice", que estreou nos cinemas nesta quinta-feira, 13.
Anjo é descrita pela produção do filme como a personagem "que mais se aproxima da própria escritora". No conto, dirigido por Eunice Gutman, ela acaba de sair de uma sessão de terapia quando, sem intenção, passa a dividir o táxi com uma desconhecida.
Essa não é a primeira vez que Spiller se aproxima de Lispector. Em "De Corpo Inteiro Entrevistas" (2010), filme-documentário dirigido por Nicole Allgranti, sobrinha-neta da escritora e uma das cinco diretoras de "Rio de Clarice" , a atriz interpreta a escritora ao entrevistar Jorge Amado e Carybé na trama.
Essa experiência, segundo a artista em entrevista exclusiva à EXAME, foi o que tornou o reencontro com a autora, agora ficcionalizada, imediato.
"Desde o início ficou bastante visível a internalização da Clarice nesse conto. E eu me identifiquei imediatamente com ela", diz Spiller. "Já tinha essa intimidade com ela, e captei muito rapidamente esse sentimento. Não foi difícil."
Letícia Spiller como Anjo em 'Mal-estar de um Anjo', cena do filme 'Rio de Clarice'; atriz vive personagem inspirada na própria Clarice Lispector. (Divulgação)
A maior parte de "Mal-estar de um Anjo" se passa dentro da cabeça da personagem. Na escrita, o recurso aproxima Anjo do leitor, que tem o poder de "ler os pensamentos" e seguir o fluxo de consciência enquanto a cena se desenrola.
De acordo com a atriz, o caminho para adaptá-lo ao cinema foi construído durante a preparação com a diretora Eunice Gutman, ao lado de Gabrielle Farias, sua parceira de cena. "Foi muito bom, já deu para sentir bastante o caminho, as intenções e os silêncios", diz Spiller.
"Os silêncios dizem muito, principalmente no cinema", diz Letícia Spiller.
O conto levanta uma questão que atravessa a própria autora: até que ponto a bondade é genuína, e quando ela vira uma espécie de obrigação . No enredo, Anjo queria ficar sozinha. Ao entrar no táxi, encontra uma mulher que já decidiu, por conta própria, quem ela é.
Para Spiller, a questão dialoga com sua própria rotina como artista. "Nós, artistas, muitas vezes estamos passando por problemas ou por situações difíceis e temos que ser educados em relação ao nosso público, não importa por qual momento a gente esteja passando", diz. "Talvez seja uma situação parecida."
"Rio de Clarice" estreou nesta quinta-feira, 13 de agosto, em circuito nacional nos cinemas. O longa tem direção de Maria Luiza Aboim, Eunice Gutman, Nicole Allgranti, Taciana Oliveira e Barbara Kahane, roteiro de Nicole Allgranti e Teresa Montero.
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