Como facções usam influenciadores em rede criminosa para lavar cifras bilionárias
Negócios que giram vultosas somas de dinheiro vivo são atrativos aos olhos do crime, que encontra ali brechas para lavar verbas amealhadas com suas variadas atividades.
Pois a bandidagem está agora migrando em massa para as redes, onde é ainda mais fácil depositar cifras milionárias, que de lá percorrem um labirinto de ilegalidades até retornarem ao bolso das quadrilhas, sem carimbo de procedência e livres para uso.
O esquema virtual, que mobiliza polícias de todo o país, já pôs na mira influenciadores que contam com multidões de seguidores, tais como MC Poze do Rodo, Bia Miranda e Deolane Bezerra, a mais famosa deles, hoje presa, por indícios de estarem a serviço de grandes facções.
Mas a engrenagem, que consiste em se aproveitar de um ambiente comercial de difícil fiscalização, vem rapidamente se sofisticando e hoje abrange uma teia muito maior e menos visível de influencers de menor envergadura e desconhecidos do grande público.
PURA OSTENTAÇÃO – Enquanto dava dicas de moda e exibia o passaporte carimbado, a carioca <strong>Luíza Ferreira</strong> conferia credibilidade a uma bet de fachada.
Por sua conta, passaram 700 000 reais, quantia muito superior à declarada no Imposto de Renda.
Ela nega atuar na ilegalidade e diz ganhar a vida com trabalho honesto. ./Reprodução Um levantamento exclusivo, feito a pedido de VEJA, dá a dimensão do fenômeno nos dois estados onde o crime organizado mais fincou seus tentáculos — São Paulo, base do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Rio de Janeiro, onde reina o Comando Vermelho (CV) —, além de Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.
Da varredura na Polícia Civil e nos Ministérios Públicos locais emerge uma lista de 31 influenciadores investigados por ligação com o crime, uma lista que lança luz sobre nomes que pela primeira vez vêm à baila.
Juntos, eles alcançam 149 milhões de seguidores e são suspeitos de movimentar a portentosa quantia de 7 bilhões de reais em transações financeiras que conferem uma fachada legal ao dinheiro sujo.
As apurações começaram de cinco anos para cá, desencavando manobras nebulosas capitaneadas por uma turma jovem de diferentes nichos — funk, moda e fitness, entre eles.
Às vezes não passam dos 100 000 seguidores, número acanhado diante de celebrados nomes da internet, que exibem seu lifestyle a uma plateia de milhões.
“Há inúmeras possibilidades de flutuação de dinheiro nesses perfis por sua natureza informal e desburocratizada”, afirma o promotor Orlando Pugliese, do Ministério Público de São Paulo.
Continua após a publicidade OLHA O DINHEIRO AÍ – Em seu perfil, agora fora do ar, <strong>Vanessa Freires</strong>, da Baixada Fluminense, exibia prêmios fictícios da jogatina que promovia.
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