domingo, 20 de setembro de 2026 📬 Resumo no TelegramPortaisSobre🌓
🇧🇷 BR ▾
ÚLTIMAS
Política

Carlos Nelson Coutinho ainda fala ao nosso tempo

Brasil de Fato ·
Carlos Nelson Coutinho ainda fala ao nosso tempo

Revisitar a obra intelectual e política de Carlos Nelson Coutinho é um dever impreterível para as mais diversas gerações da esquerda brasileira. Passados 13 anos de seu falecimento, sustentamos que o pensamento de Coutinho permanece como um clássico para os caminhos do socialismo no Brasil.

Baiano, filho das classes mais abastadas e letradas, Coutinho foi muito além de um acadêmico. Homem de partido, militou no movimento estudantil, foi professor da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e construiu uma larguíssima produção intelectual, composta por 13 livros e mais de 50 ensaios. Carlos Nelson fez parte de uma importante geração do Partido Comunista Brasileiro (PCB), formada no contexto de sua virada renovadora pós-1958, que muito contribuiu para uma relativa hegemonia da esquerda no mundo da cultura na década de 1960 e mesmo sob a ditadura civil-militar .

Segundo José Paulo Netto, a obra de Coutinho pode ser dimensionada por meio de três grandes frentes. A primeira é a de publicista e intérprete de pensadores como Hegel, Rousseau, Lukács, Goldmann, Gramsci, Togliatti e Ingrao. Mais que apresentar esses autores, Carlos Nelson Coutinho produziu sínteses e interpretações originais e, por isso mesmo, polêmicas. A segunda é a de crítico literário e filosófico, dimensão na qual cabe sublinhar a influência de Lukács. Poderíamos mencionar seus ensaios sobre Lima Barreto, Graciliano Ramos, Proust e Kafka, assim como sua crítica ao estruturalismo em Estruturalismo e a Miséria da Razão . Finalmente, há sua produção dedicada à interpretação e à elaboração de uma teoria sobre o Brasil contemporâneo.

Para a construção dessa teoria, sua apreensão e leitura da obra de Antonio Gramsci foram fundamentais. Leitor atento de clássicos de diferentes matrizes do pensamento social brasileiro, como Nelson Werneck Sodré, Celso Furtado, Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes, Octávio Ianni, Oliveira Vianna e Gilberto Freyre, entre outros, Carlos Nelson procurou “abrasileirar” categorias gramscianas e conceitos desenvolvidos a partir de sua obra, como Estado ampliado, revolução passiva, hegemonia, crise orgânica, supremacia e catarse.

Em termos acadêmicos, Carlos Nelson ainda é mais conhecido e lido como um intérprete de Gramsci. Muitas vezes, porém, essas leituras marginalizam sua interpretação original sobre a formação sócio-histórica brasileira e os caminhos para a revolução. A partir de Gramsci, Carlos Nelson formulou, ao menos, duas hipóteses fecundas sobre o desenvolvimento histórico brasileiro.

A primeira diz respeito à via particular do desenvolvimento capitalista brasileiro, realizada “de cima para baixo”, tendo a violência estatal como principal mediação e marcada por um conjunto de revoluções passivas que incorporaram parte das demandas e lutas sociais sob uma direção conservadora das classes dominantes.

A segunda refere-se ao neoliberalismo enquanto um projeto de conformação inédita da hegemonia da burguesia brasileira, mediante a ampliação de organizações, entidades e ONGs na sociedade civil, que passam a conformar uma direção política, cultural e moral.

Ler a notícia completa no Brasil de Fato ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.

Mais de Brasil de Fato

Ver tudo ›

Mais em Política

Ver tudo ›