Como acolher pessoas em processo de luto na jornada do câncer
Todos os anos, morrem mais de 200 mil pessoas no Brasil em decorrência do câncer, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
A doença é a segunda causa de morte no país, aproximando-se cada vez mais das doenças cardiovasculares , historicamente a causa número um.
O câncer é uma doença complexa.
Em muitos casos, exige tratamentos longos e invasivos, como cirurgias, quimioterapia , radioterapia , entre outros.
Geralmente, altera toda a rotina do paciente e de seus familiares.
O luto, nesse cenário, nem sempre está relacionado à morte, mas à vida de antes do diagnóstico.
É importante apoiar a pessoa que está passando pelo tratamento durante todas as etapas da jornada, inclusive quando não há mais chance de cura.
E quando o desfecho é, de fato, o óbito, é preciso também acolher quem ficou: respeitar o tempo de cada um e compreender que o luto é um processo único e que não há um jeito certo de vivenciá-lo pode ser um primeiro passo.
Por que o luto não é diz respeito apenas a morte Segundo Erika Pallottino, psicóloga clínica especialista em luto, o diagnóstico oncológico já inicia um processo de luto : não necessariamente por ser uma doença grave, mas por impor importantes transformações à vida da pessoa.
Mudanças nos hábitos e na rotina, perda de autonomia, alterações nos papeis familiares, perda da fertilidade , menopausa precoce e questões ligadas à sexualidade, por exemplo, são comuns durante a trajetória do paciente oncológico.
“Com isso, a gente perde o nosso status de saudável, a nossa sensação de controle, previsibilidade, conhecimento sobre o próprio corpo e sobre a própria saúde.
E o luto é uma ruptura que mexe com os nossos organizadores mentais, sociais e afetivos”, afirma.
Esse luto acompanha a experiência do câncer e merece reconhecimento e acolhimento.
Para a especialista, a rede de apoio e a relação com a equipe de saúde podem ajudar no processo de enfrentamento e adaptação à doença.
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