Cientistas recriam "chuva de diamantes" de Urano e Netuno
Um dos fenômenos cósmicos mais estranhos já descritos é o da " chuva de diamantes ": planetas com condições tão extremas que moléculas de carbono são forçadas a assumir a sua configuração mais compacta e resiliente possível.
Urano e Netuno são os dois mais próximos de provavelmente estarem nessa condição.
Urano é mais quente do que se pensava, dizem novos estudos Nada não, apenas um caminhão transportando antimatéria Essa ocorrência foi considerada apenas teórica até 2017, quando cientistas conseguiram reproduzi-la em laboratório .
Agora um novo experimento conseguiu repetir o feito em condições ainda mais insanas, e de uma forma que pode ajudar no desenvolvimento futuro da fusão nuclear, que ainda não estamos nem perto de alcançar.
Os núcleos de Netuno e Urano são cheios de diamantes eternamente inalcançáveis, mais ou menos assim (Crédito: Reprodução/20th Century Studios/Disney) Fusão nuclear movida a diamantes? Embora chamados de "gigantes de gelo", Netuno e Urano não são gelados.
O manto extremamente espesso é um fluido supercrítico (FSC) composto por água, amônia, metano e outros elementos voláteis, mantido sob condições de temperatura e pressão tão imensas que não há mais distinção entre os estados líquido e gasoso.
Embora referidos como oceanos, esses mantos possuem características tanto de líquidos quanto de gases, além de serem palco para coisas estranhas.
Quanto mais fundo, mais pressão e mais calor, a ponto de nem mesmo as moléculas de metano conseguirem manter suas ligações e serem despedaçadas.
O carbono liberado é então exposto a uma pressão de centenas de gigapascals e temperaturas extremas, sendo assim forçado a assumir a forma de seu alótropo mais resistente, o diamante.
Por ser mais pesado, esse mineral em escala microscópica acaba mergulhando ou "chovendo" em direção aos núcleos desses astros, que cientistas acreditam serem formados de silicatos, ferro e níquel, acumulando-se como uma casca.
Sim, você imaginou certo, o Sol é orbitado por dois potenciais diamantes de dimensões planetárias; a título de comparação, a Terra é 57 vezes menor que Urano e 63 vezes menor que Netuno.
E não temos absolutamente NADA capaz de resistir às forças exercidas em ambos os planetas, por tempo suficiente para chegar e voltar das camadas mais profundas.
O experimento de 2017, que usou o acelerador de partículas linear do SLAC em Menlo Park, Califórnia, conseguiu reproduzir condições similares em uma escala muito pequena, usando um laser que expôs uma película de poliestireno a uma pressão de 150 GJ e temperatura de 6.000 K, mais quente que a superfície do Sol; como resultado, os pesquisadores constataram a formação de nanodiamantes, após forçar o material original a se partir em átomos de hidrogênio e carbono.
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